George Lucas desiste de Chicago e leva jóias de Star Wars para a Califórnia

Chicago era o destino preferido do cineasta para novo museu, mas a oposição dos grupos de conservação dos parques do Lago Michigan foi mais forte. Los Angeles já é candidata a receber colecção de arte e cultura popular.

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ANGELA WEISS/AFP
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A simulação do projecto do museu inserido no local onde deveria ser construído MAD

O Museu George Lucas da Arte Narrativa, que em Novembro tinha sido aprovado pela cidade de Chicago depois de longos meses de polémica, afinal vai mesmo voltar para a Califórnia com o seu promotor. Lucas foi alvo de processos para impedir a construção do edificio nas margens do Lago Michigan e cansou-se: "Ninguém beneficia com este litígio aparentemente infinito que visa proteger um parque de estacionamento", atirou o autor de Star Wars.

Em causa está um projecto de Lucas para mostrar a sua colecção de arte, cinema, memorabilia e coleccionáveis relacionados não só com a sua própria criação mas com as artes de storytelling e dos vários suportes nos quais se contam histórias. De Degas a Renoir até obras de Norman Rockwell, há também muita BD e ilustração de Jim Davis, Mike Mignola ou Robert Crumb, Beatrix Potter ou Charles Schulz (Peanuts). Fotografia de Robert Capa, Walker Evans ou Sebastião Salgado e muitas peças de tudo o que no cinema teve o toque do realizador e produtor. Exemplares de arte popular que “contam uma história”, como as define, e que iriam ter casa num edifício projectado pelo estúdio MAD Architects num terreno que actualmente inclui parte do parque de estacionamento do Soldiers Field, um pavilhão e campo desportivo que alberga alguns dos eventos desportivos e concertos mais importantes que passam pela cidade do Illinois. 

O novo destino não é precisado num comunicado do museu em que se confirma que a contestação do grupo Friends of the Parks, que defende que o museu estragaria a paisagem, segundo cita a Reuters, e que violaria as directivas de construção nas margens do Michigan. Esta posição contraria a do presidente da câmara da cidade, Rahm Emanuel, que via o empreendimento como um chamariz de turismo e emprego e mais um museu importante para Chicago. "A perda de Chicago será um ganho para outra cidade", lamentou agora o mayor. O seu correligionário de Los Angeles já se mostrou candidato a receber a instituição, que "seria perfeita" para a capital californiana, defendeu Eric Garcetti .

O projecto de 1,3 mil milhões de euros seria inteiramente financiado por Lucas, cuja fortuna (vendeu, em 2012, o seu império criativo e a Lucasfilm à Disney) valerá mais de 4,5 mil milhões de euros. Chicago era o destino do edifício muito pela relação de Lucas e da sua mulher, a empresária e CEO da DreamWorks Mellody Hobson, com a cidade onde esta nasceu, e tinha data de inauguração prevista para 2019, mas esse prazo poderá também estar em causa.