Costa lança Start-Up Portugal no Porto e deixa apoio expresso a Moreira em stand-by

Primeiro-ministro garantiu a multidão de jovens empreendedores que o “melhor” país para investirem se chama Portugal.

Rui Moreira apresentou ao primeiro-ministro e convidados o projecto da Câmara do Porto para o Matadouro
Rui Moreira apresentou ao primeiro-ministro e convidados o projecto da Câmara do Porto para o Matadouro Rui Farinha/Nfactos
Costa trocou impressões com jovens empreendedores
Costa trocou impressões com jovens empreendedores Rui Farinha/Nfactos
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Um dia depois de ter deixado nas entrelinhas do Congresso do PS o apoio do partido à recandidatura do presidente da Câmara do Porto nas autárquicas de 2017, António Costa, primeiro-ministro, e o independente Rui Moreira estiveram juntos esta segunda-feira, no Porto. E no final da sessão de lançamento do programa Start-Up Portugal - Estratégia Nacional para o Empreendedorismo, os dois políticos brindaram, divertidos. Não disseram a quê e ainda não foi desta que se concretizou o mais que provável acordo entre o independente e o PS para as autárquicas.

O que levou o primeiro-ministro ao matadouro municipal do Porto, para o qual a câmara tem um projecto que espera concretizar brevemente e que vai cruzar a coesão, a economia e a cultura, foi o lançamento do programa Start-Up Portugal, que foi apresentado em Março.

Perante uma plateia de gente jovem, o primeiro-ministro puxou por aquilo que de melhor tem o país para declarar que “há uma coisa indiscutível: “Portugal é um dos melhores países para se viver" e pode ser o "mais atractivo e amigo do empreendedorismo".

Costa subiu ao palco depois de ouvir atentamente o testemunho de alguns jovens empreenderes e investidores para explicar a importância do programa e também para revelar que a escolha do sítio, o antigo matadouro, "tem um simbolismo". E voltou de falar de vacas. "Não só o simbolismo de aqui as vacas também terem voado, já depois de mortas, nestes carris que aqui estão. Tem o simbolismo que é do velho fazer novo", afirmou e a sala registou a graça.

“O que visa este programa é fazer à escala nacional o que cada município fez no seu próprio município. Este é um trabalho que temos que fazer em conjunto", partilhou, o governante, que quer "fazer de Portugal o país europeu mais acolhedor e mais amigo do empreendedorismo e um país que seja verdadeiramente Sart-Up". Nesse sentido, defendeu ser necessário "transformar essa ideia de que Portugal é só bom para férias" na de que "é um sítio óptimo para viver com a qualidade com que se pode passar férias".

Disposto a conquistar novos empreendedores e investidores, o primeiro-ministro salientou ainda que Portugal pode ser "o país da Europa mais acolhedor", não só pelas medidas do programa agora lançado, mas porque "nesta economia o fundamental é o talento. A capacidade de o criar, o fixar e o atrair". "Nós gerámos a geração mais qualificada de portugueses. Não nos podemos dar ao luxo de desperdiçar essa geração", destacou o governante para quem Portugal tem "qualidades fantásticas para criar empresas", disse.

“Vamos fazer de Portugal um grande Portugal Sart-Up e viemos aqui ao Porto, de onde surgiu o nome de Portugal, começar mesmo com o Portugal Sart-Up”,enfatizou.

Um pouco antes, o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, defendera que o “crescimento económico cada vez depende mais destas empresas. Não pelas start-ups que ficam start-ups a vida toda, mas por aquelas que pela sua ousadia se fazem grandes".

Explicando que este programa faz parte não só da estratégia de inovação do Governo, mas também da "estratégia económica centrada em criar valor, pelo conhecimento, pela valorização do talento das pessoas, pela atracção de talento para Portugal", Caldeira Cabral alertou para algumas dificuldades. "Não é fácil, mas aqui estamos num ecossistema que se está a reforçar, que tem muito para avançar, que já tem muitas empresas válidas e que já fizeram o seu caminho", sustentou.

Disse que "as start-ups estão cá para ficar e este Governo está cá para as apoiar, de uma forma integrada, nas várias fases da sua vida, para as apoiar a crescer, a serem parte do futuro de Portugal".

No mesmo sentido, falou João Vasconcelos, secretário de Estado da Indústria que, a partir do Porto, deixou a garantia de que, graças ao programa Start-Up, a estratégia do Governo para o empreendorismo, “Portugal está preparado para conquistar o mundo”.

Durante a sessão, que abriu com uma intervenção do presidente da Câmara do Porto, que aptresentou o projecto da autarquia para o antigo matadouro municipal, na freguesia de Campanhã, um grupo de empreendedores estrangeiros subiu ao palco para partilhar as suas experiências profissionais.

Assente em três pilares -“ecossistema, financiamento e internacionalização” -, o programa Start-Up Portugal - Estratégia Nacional para o Empreendedorismo inclui 15 medidas para a área do empreendedorismo, com o objectivo de que "cada boa ideia que surja se possa tornar numa boa empresa no futuro", explicou o primeiro-ministro.