O Universo está a expandir-se ainda mais depressa do que se pensava

Distância entre as galáxias aumenta de forma ainda mais rápida do que as previsões iniciais.

Galáxia com as estrelas assinaladas que permitiram a descoberta
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Galáxia com as estrelas assinaladas que permitiram a descoberta NASA/ESA/ADAM RIESS

O Universo está a expandir-se mais depressa do que se pensava até aqui – uma descoberta surpreendente que poderá pôr à prova parte da teoria da relatividade de Einstein, um pilar da cosmologia que há um s��culo resiste a desafios.

A descoberta de que o Universo está a expandir-se 5 a 9% mais depressa do que o previsto, anunciada num comunicado conjunto da agência espacial norte-americana NASA e da Agência Espacial Europeia (ESA), também fomenta o aparecimento de hipóteses sobre o que preenche 95% do cosmos que não emite qualquer luz e radiação. “Talvez o Universo esteja a iludir-nos”, disse Alex Filippenko, astrónomo da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA) e um dos autores de um artigo científico sobre esta descoberta que será publicado na próxima edição da revista Astrophysical Journal.

A taxa de expansão do Universo não condiz com as previsões baseadas nas medições da radiação cósmica de fundo, uma radiação que é um resquício do Big Bang, a explosão que deu origem ao Universo tal como o conhecemos há 13.800 milhões de anos.

Uma possibilidade para a discrepância é que o Universo tenha partículas subatómicas desconhecidas, semelhantes aos neutrinos, que viajam quase à velocidade da luz, que é de cerca de 300.000 quilómetros por segundo. Outra hipótese é que a chamada “energia escura”, uma misteriosa força antigravidade descoberta em 1998, pode estar a afastar as galáxias umas das outras de forma ainda mais poderosa do que foi estimado inicialmente.

“Isto pode ser uma pista importante para compreender as partes do Universo que constituem 95% de tudo e que não emitem luz, como a energia escura, a matéria escura e a radiação escura”, disse o físico Adam Riess, do Instituto de Ciência para o Telescópio Espacial, em Baltimore (EUA), e que é o principal autor do trabalho.

Adam Riess partilhou o Prémio Nobel da Física de 2011 pela descoberta de que a expansão do Universo estava a acelerar. Um Universo mais rápido também levanta a possibilidade de que a teoria da relatividade de Einstein, que serve de armação matemática para calcular como é que os blocos fundamentais da matéria interagem, pode estar ligeiramente errada, refere a NASA.

Esta equipa pôde fazer a descoberta de que o Universo se está a expandir ainda mais depressa do que se pensava porque desenvolveu um referencial melhor para calcular distâncias. Os cientistas utilizaram o telescópio espacial Hubble para medirem um tipo particular de estrelas – as variáveis cefeidas – em 19 galáxias, para lá da nossa própria galáxia, a Via Láctea. A velocidade com que estas estrelas “pulsam” está directamente relacionada com o seu brilho, que por sua vez pode usar-se para calcular as suas distâncias, tal como uma lâmpada de 100 watts parece mais ténue quanto mais longe está.