A velha Majora modernizou-se e prepara lançamento de 22 novos jogos

Marca detida pelo The Edge Group tem nova imagem, regressa às lojas no Natal e prepara loja online. Internacionalização começa em Espanha em 2017.

Majora espera facturar um milhão de euros no final do primeiro ano de presença de mercado
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Majora espera facturar um milhão de euros no final do primeiro ano de presença de mercado Patrícia Martins

A imagem clássica inspirada no tangram mantém-se, tal como as cores características da Majora, fundada há 75 anos por José de António Oliveira. Mas há uma pequena diferença entre o logotipo antigo e o novo, apresentado nesta quarta-feira em Lisboa pelo The Edge Group, que comprou o espólio da empresa de brinquedos em 2014. Em vez de um menino a jogar à bola sozinho há, agora, dois personagens que interagem. A nuance tem um propósito: passar a mensagem de que brincar é essencial para as relações entre família e amigos.

O regresso às lojas, anunciado no final do ano passado, vai concretizar-se no Natal com o lançamento de 33 jogos, entre 22 novas criações e relançamentos de 11 velhos clássicos, como o Sabichão. O investimento com a mudança de marca foi de cem mil euros e a empresa espera facturar um milhão de euros no final do primeiro ano de presença de mercado.

“Vamos ter novos jogos de tabuleiro e uma nova linha que, este ano, vai ter apenas alguns produtos mas que vamos querer expandir para o próximo ano. Trata-se de jogos ao ar livre, que promovem a motricidade da criança”, explica Catarina Jervell, directora da Majora. A produção de conteúdos, criação de jogos e a impressão ficam a cargo de empresas e instituições externas – a fábrica original no Porto encerrou em Março de 2013. No caso da concepção de produto, a ideia foi recorrer a entidades “que enriquecessem os clássicos da Majora”, como é o caso do Planetário Calouste Gulbenkian ou da Ordem dos Biólogos. Já o fabrico propriamente dito será feito com recurso a gráficas nacionais e estrangeiras. “Não foi difícil encontrar fornecedores nacionais e surpreendeu-nos a flexibilidade e vontade de abraçar um novo desafio”, conta Catarina Jervell, que desde Setembro assumiu a liderança da empresa de brinquedos.

A Majora conseguiu manter-se nas prateleiras mesmo depois de encerrada a fábrica graças ao elevado stock, mas sem novidades no mercado. Além do planeado regresso ao retalho no Natal de 2016 (a época do ano em que se vendem mais brinquedos), a empresa espera abrir uma loja online no último trimestre. “A nossa estratégia digital está em desenvolvimento e iremos dar prioridade à loja online, estamos a desenvolver os conteúdos e estará preparada em várias línguas. Por enquanto vamos ter os jogos apenas em português”, detalha Catarina Jervell.

A internacionalização está nos planos, mas para 2017. Os mercados de língua oficial portuguesa serão um cliente natural, mas numa primeira fase a intenção é expandir a Majora para Espanha. “Iniciaremos a exportação em 2017, mas quanto à internacionalização, gostaríamos de começar no início do próximo ano e Espanha será o primeiro passo. O facto de termos parcerias com entidades internacionais permite, desde logo, dar a conhecer a marca”, detalha, referindo-se às gráficas na Polónia e no Reino Unido com quem a Majora vai trabalhar para produzir os jogos.

O fundo de investimento Edge Ventures, holding do The Edge Group, comprou ao Montepio as 13 marcas da empresa de brinquedos no final do ano passado. Um processo judicial interposto por um antigo trabalhador (e que avançou para uma penhora) atrasou a passagem de propriedade das marcas. Só depois de resolvida a questão, foi possível registar o nome e avançar para o relançamento do negócio, para o qual o grupo de José Luís Pinto Basto tem previsto um investimento e global de um milhão de euros.

Enquanto não abre um museu para mostrar todo o espólio da marca (previsto para 2018), o Edge Group vai organizar uma exposição em Lisboa onde, a partir de 7 de Junho, será possível revisitar os 70 anos da Majora. Recorde-se que foi pioneira em Portugal na produção de brinquedos e, da sua fábrica no Porto, saíram os primeiros jogos didácticos como os cubos da Carochinha, o Rapa o Tacho ou a Roda da Sorte.

O The Edge Group é composto por um conjunto de holdings de investimento e capital de risco, lideradas por José Luís Pinto Basto, e controla marcas como a Labrador ou os ginásios Fitness Hut.