Papa envia mensagem para caminhada contra a eutanásia em Portugal

Federação Portuguesa pela Vida lançou petição e marchou neste sábado em Lisboa contra a eutanásia. O Papa Francisco associou-se à iniciativa enviando mensagem de encorajamento.

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Rui Gaudêncio
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A Federação Portuguesa pela Vida promoveu neste sábado, em Lisboa, a sexta "Caminhada pela vida", em que lançou a petição "Toda a vida tem dignidade" para impedir a legalização da eutanásia.

Segundo revela a agência Ecclesia, o Papa associou-se à caminhada enviando uma mensagem onde encorajou os participantes a “um renovado empenho na promoção dos verdadeiros valores humanos, morais e espirituais”.

Ainda de acordo com agência da Igreja Católica portuguesa, na mensagem, enviada pelo “número dois” da Secretaria de Estado do Vaticano, Angelo Becciu, Francisco frisou a importância de “inspirar indivíduos, famílias e a sociedade portuguesa na busca do bem-comum enraizado na concórdia, na justiça e no respeito pelos direitos da pessoa humana, desde a concepção à sua morte natural”.

A marcha, em que participaram algumas centenas de pessoas, partiu do Largo de Camões e terminou junto à Assembleia da República, para que, segundo os organizadores, os deputados saibam “que existe todo um povo que deseja que a vida humana seja protegida pela lei”.

A marcha era pela defesa da vida e contra a eutanásia, mas também se ouviram palavras de ordem contra a maternidade de substituição, conhecida por "barrigas de aluguer", aprovada na sexta-feira no Parlamento.

No texto da petição dirigida ao Parlamento, os proponentes afirmam que “uma sociedade baseada no Estado de direito e no respeito pelos direitos humanos fundamentais não pode ignorar nem calar-se perante as tentativas de ameaça ao direito à vida, de ameaça à dignidade e ameaça à vida concreta de cada homem e de cada mulher”.

Considerando que cabe ao Estado “garantir e defender a vida de todos os seres humanos, em quaisquer circunstâncias”, os peticionários dizem que “só se contribui para uma cultura construtiva e de solidariedade com opções claras em favor da vida de cada homem e de cada mulher, como bem superior que a todos importa, numa visão que entende que o exercício da liberdade individual não pode ser uma afirmação de individualismos perigosos”.

“A eutanásia é sempre um homicídio apoiado pelo Estado (pretensamente através de algum profissional de saúde) ou um suicídio assistido pelo Estado, e a este não cabe criar o direito de alguém ser morto por outrem, nem validar esta opção como legítima perante o colectivo”, dizem ainda no texto.

Os autores do texto pedem à Assembleia da República que legisle “no sentido de reforçar e proteger o valor objectivo da vida humana”, garantindo, “tal como previsto no art.º 24.º da Constituição Portuguesa, a sua inviolabilidade”.

Sugerem ainda que o Parlamento “promova uma política mais eficaz de combate à exclusão de idosos e incapacitados”, nomeadamente “através de apoios concretos às famílias”, e recomendam ao Governo “a extensão a toda a população e território português dos cuidados continuados e paliativos”.

Por fim, exigem que os deputados rejeitem “toda e qualquer proposta que vá no sentido de conferir ao Estado o direito a dispor ou apoiar a eliminação de vidas humanas, ainda que com o alegado consentimento da pessoa, independentemente das circunstâncias em que se encontre”.

Entre os que já assinaram a petição estão Carlos Alberto da Rocha (presidente da Associação de Médicos Católicos Portugueses); Fernando Soares Loja (presidente da Comissão de Liberdade Religiosa); Henrique Leitão (Prémio Pessoa); Luís Villas-Boas (director do Refúgio Aboim Ascensão); Pedro Vaz Patto (presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz); Jorge Líbano Monteiro (secretário-geral da Associação Cristã de Empresários e Gestores); Maria José Vilaça (presidente da Associação de Psicólogos Católicos); e Maria Isilda Pegado (presidente da Federação Portuguesa pela Vida).

No passado mês de Abril, uma outra petição mas a favor da despenalização da morte assistida foi entregue no Parlamento. Entre os seus mais de oito mil subscritores contam-se nomes como os de Paula Teixeira da Cruz, Rui Rio, Sobrinho Simões, Manuel Luís Goucha, Francisco George, António-Pedro Vasconcelos, Alexandre Quintanilha ou Francisco Louçã.