Cordões e abraços em Coimbra contra alterações ao financiamento de colégios

Três colégios da cidade realizaram acções de protesto contra as mexidas nos acordos no ensino privado e cooperativo.

Enquanto o ministro da Educação explicava, esta sexta-feira, na Assembleia da República as alterações aos contratos de associação, em Coimbra três colégios reuniram a comunidade escolar para contestar essas mesmas medidas que resultaram na redução de financiamento público a essa escolas.

Apesar de uma manhã de sexta-feira chuvosa, no centro da cidade, um cordão uniu o Colégio de São Teotónio ao Colégio Rainha Santa Isabel. Entre pais, alunos, professores e funcionários, terão participado na iniciativa mais de 1500 pessoas das duas instituições para tentar, nas palavra do director do Colégio de São Teotónio, o padre Manuel Carvalheiro Dias, “sensibilizar para um problema que foi criado desnecessariamente”.

A partir das 10h, os dois colégios contíguos (um é o número 41 e o outro o 49 da mesma Rua do Brasil) foram ligados pelas duas comunidades escolares. Os dois colégios têm contrato de associação com o Estado desde 1996 e têm turmas do pré-escolar ao 12º ano.

Carvalheiro Dias contesta o “critério restritivo na admissão dos alunos na mudança de ciclo” e entende que “não é possível organizar os territórios educativos apenas em função de um critério de localização de freguesia”. Estas imposições vão fazer com que os pais fiquem “truncados nas suas liberdades”, resultando também em despedimentos. A instituição tem 606 alunos, sendo que 197 distribuídos por sete turmas estão abrangidos por contratos de associação. O director do São Teotónio considera que “não sendo previsível que, num meio como Coimbra, haja disponibilidade financeira para pagar propinas em larga escala, essa redução vai implicar despedimentos”. “Não há milagres. Nestas coisas, pelo menos”, ressalva.

Já a irmã Maria da Glória Condeixa, que dirige o Colégio Rainha Santa Isabel, defende que o que está em causa é a liberdade de escolha. “Todo o cidadão que paga impostos tem os mesmos direitos e portanto deve poder escolher a escola que pretende. Seja estatal ou privada”, expõe.

Com cerca de 400, em 908 alunos, abrangidos pelo contrato de associação, Maria da Glória Condeixa também acena com despedimentos, caso a medida avance. “Não temos outra hipótese”, refere, enquanto afirma que o Rainha Santa Isabel é “uma escola privada que presta serviço público”.

Tal como noutros pontos do país, também o Colégio da Imaculada Conceição, em Cernache, promoveu um “abraço à escola”. Apesar de não estar certo de que o protesto venha a surtir efeito, o director pedagógico da instituição que tem 855 estudantes, António José Franco, considera que ficou demonstrado “que a comunidade se identifica com o projecto e que está disposta a defendê-lo”. No cordão humano composto por alunos, pais e trabalhadores que circundou o colégio estiveram cerca de 1300 pessoas, estima o responsável.

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