Mossack Fonseca apresenta queixa por ataque informático

Fundador da firma de advogados no centro do escândalo dos Panama Papers denuncia desrespeito pelo direito à privacidade dos seus clientes.

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Ramon Fonseca Mora, director e co-fundador da sociedade no centro do furacão da fuga de informação AFP
11,5 milhões de documentos da sociedade foram entregues por uma fonte anónima ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung
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11,5 milhões de documentos da sociedade foram entregues por uma fonte anónima ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung Bobby Yip/Reuters

A sociedade de advogados especializados na gestão de fortunas e activos offshore Mossack Fonseca afirma ter sido vítima de um ataque informático, organizado a partir de servidores estrangeiros, tendo apresentado queixa contra desconhecidos.

“Temos um relatório técnico que nos diz que fomos pirateados”, disse à AFP Ramon Fonseca Mora, director e co-fundador da sociedade no centro do furacão da fuga de informação conhecida como Panama Papers, anunciando que já foi entregue uma queixa-crime junto do Ministério Público do país.

Fonseca Mora indigna-se que “ninguém esteja a falar de pirataria” nas notícias sobre os negócios em paraísos fiscais que a firma mediou ao longo de 40 anos de actividades. “Esse é o único crime que foi cometido”, diz o sócio daquela que é a quarta maior sociedade de advogados especializada na criação e gestão de empresas em paraísos fiscais.

O Consórcio Internacional de Jornalistas de Informação revelou apenas que os 11,5 milhões de documentos da firma foram entregues ao Süddeutsche Zeitung por uma fonte anónima, tendo depois o volume sem precedentes de informação sido trabalhada por mais de 340 jornalistas de uma centena de media.

Fonseca Mora denuncia também o facto de as notícias que inundaram a imprensa nos últimos dias se centrarem nas personalidades mais mediáticas do seu extenso rol de clientes, sem qualquer respeito pela privacidade dos visados que, em parte dos casos divulgados, terão agido dentro do que lhe permitiam às leis em vigor. "Não compreendemos, o mundo está a aceitar que a vida privada deixou de ser um direito humano."