Redução do desemprego vai fazer-se a um ritmo mais moderado

FMI alerta que redução da população activa, por causa da emigração e do envelhecimento, é a "questão fundamental" que Portugal enfrenta.

Em Abril havia 89 mil pessoas com formação superior e sem emprego
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Em Abril havia 89 mil pessoas com formação superior e sem emprego Nuno Alexandre Mendes

Depois do recuo significativo registado nos últimos dois anos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) antecipa que, no futuro, o ritmo de redução do desemprego será mais lento. O alerta é deixado no terceiro relatório de monitorização pós-programa, divulgado nesta sexta-feira, dia em que o Instituto Nacional de Estatística (INE) dá conta de um agravamento da taxa de desemprego em Fevereiro.

O FMI dedica alguma atenção ao mercado de trabalho português e conclui que, depois de a taxa de desemprego ter chegado a níveis históricos no início de 2013, ela reduziu-se de forma acentuada e entretanto estabilizou em valores próximos dos 12% nos três últimos trimestre de 2015. “O emprego está agora perto do nível de meados de 2014 e a taxa de desemprego tem ficado à volta dos 12% nos últimos três trimestres de 2015. O declínio pós-crise da taxa de desemprego, impulsionado pelos serviços (em particular os transportes, a saúde e o sector hoteleiro), moderou-se e está agora mais em linha com o ritmo da recuperação [da economia]”, referem os técnicos do fundo que elaboraram o relatório.

E nos próximos anos, a redução do desemprego será mais lenta. Entre 2013 e 2014, a taxa de desemprego passou de 16,2% (média anual) para 13,9% e, entre 2014 e 2015, caiu de 13,9% para 12,4%. Mas as projecções do FMI para os próximos anos dão conta de recuos mais moderados. A taxa descerá para os 11,6% no final de 2016, depois para os 11,1% em 2017, e só em 2020 ficará abaixo dos 10%.

Já a população empregada vai praticamente estabilizar de 2016 em diante, com o FMI a antecipar um aumento moderado de 0,5% até 2021.

Os dados sobre o andamento mensal do desemprego, divulgados também nesta sexta-feira pelo INE mostram que ainda é cedo para respirar de alívio. Depois de três meses a recuar, a taxa de desemprego aumentou para 12,3% em Fevereiro e o emprego continuou a diminuir.

O retrato é provisório, mas o aumentou 0,2 pontos percentuais em relação a Janeiro vem interromper a tendência de diminuição que se verificava desde Novembro do ano passado. Esta taxa de desemprego corresponde a 622.200 pessoas sem trabalho, mais 5500 do que em Janeiro.

Para apurar a taxa de desemprego mensal, o INE considera a população dos 15 aos 74 anos e os valores foram previamente ajustados dos efeitos sazonais. Se não se tiver em conta os picos de actividade, a taxa de desemprego foi de 12,6%, tendo e diminuído 1,3 pontos percentuais relativamente a Fevereiro de 2015.

Em linha com o que aconteceu nos dois meses anteriores, a população empregada voltou a cair em Fevereiro. Mas agora a um ritmo mais dramático: havia menos 14.800 pessoas empregadas do que em Janeiro. Entre Dezembro e Janeiro, a diferença era de 5200 pessoas.

No destaque agora divulgado, o INE dá ainda conta dos dados definitivos do mês de Janeiro. A taxa de desemprego ficou nos 12,1% (mais 0,1 pontos percentuais do que a taxa provisória, que apontava para uma estabilização em relação a Dezembro)

Os dados mensais não permitem olhar para o comportamento da população activa e inactiva. Mas, no seu relatório, o FMI deixa algumas chamadas de atenção e os técnicos dizem mesmo que “a questão fundamental que Portugal enfrenta é a redução da população activa, motivado pelo envelhecimento e pela emigração”.

Este facto, lê-se no relatório, é evidenciado pela análise das tendências de entradas e saídas do mercado de trabalho. Desde 2014, sublinham os técnicos da instituição liderada por Christine Lagarde, que a taxa de separação (pessoas que transitam do emprego para o desemprego ou para a população inactiva e que estavam empregadas no trimestre anterior), assim com a taxa de aquisição (pessoas passam do desemprego para o emprego ou que estavam fora da população activa e voltam a trabalhar e que estavam desempregadas ou eram inactivas no trimestre anterior) estão a diminuir.

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