Santander fez um “excelente negócio”, diz Varela

Antigo representante do Estado no Banif está a ser ouvido na comissão parlamentar de inquérito.

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Miguel Manso

Com a medida de resolução decretada a 20 de Dezembro de 2015, que implicará uma perda para o Tesouro de pelo menos 300 milhões de euros (e um lucro para o Santander entre 500 e mil milhões), o grupo espanhol, o comprador dos activos bons, "fez um excelente negócio". "É o que lhe compete. Tenho muita pena que o tenha feito à custa dos contribuintes portugueses, nos quais eu me incluo", defendeu nesta quinta-feira António Varela, na comissão de inquérito.

Para o ex-administrador do Banco de Portugal (BdP), a DG Comp exigiu que o adquirente cumprisse um conjunto de critérios (dimensão e licença bancária) feitos à medida de dois bancos espanhóis, o Banco Popular e o Santander. E dado que o Banco Popular já dera sinais de que não ia concretizar uma oferta, então, pode-se concluir que o negócio foi feito “à medida do Santander”.

Para Varela, o desfecho do banco teve consequências no  seu património: “Tinha obrigações do Banif e decidi não vender porque me tornava accionista, o que era inaceitável" dado que estava na administração do BdP. No Banif "mantive e perdi tudo", referiu, explicando que "deve ter sido um bocadinho mais do que ganhou quando trabalhou no Banif. E não se pode abater no IRS".

O responsável deixou outra observação: a condução dos dossiers BES teve um efeito. "Instituiu" nas instâncias europeias "um grande desprestígio e falta de credibilidade das instituições portuguesas." "Senti isto: "Vocês fizeram um banco de transição com o Novo Banco e não o conseguiram vender". E concluiu que "sempre sofremos de alguma falta de credibilidade e isso não torna fácil dossiers complicados”. 

Durante a audição, que se prolongou durante seis horas, Varela considerou o resultado no Banif "desastroso" para os contribuintes portugueses, continuando a defender que o banco de transição teria sido mais favorável ao interesse público.