Este ano em vez de um pavilhão a Galeria Serpentine vai ter cinco

A galeria que todos os verões leva um novo projecto de grandes nomes da arquitectura aos Jardins de Kensington, em Londres, escolheu para 2016 o dinamarquês Bjarke Ingels. E mais quatro arquitectos.

Edifício A Montanha, em Cpenhaga, do atelier de Bjarke Ingels
Fotogaleria
Edifício A Montanha, em Copenhaga, do atelier de Bjarke Ingels Cortesia: BIG
Fotogaleria
O Pavilhão Cocac-Cola que Asif Khan desenhou para os Jogos Olímpicos de Londres DR
Fotogaleria
A Escola Flutuante de Makoko, de Kunlé Adeyemi Cortesia: NLÉ
Fotogaleria
A Torre TRUTEC, em Seul, Coreia do Sul, do atelier Barkow Leibinger Cortesia: Barkow Leibinger
Fotogaleria
Yona Friedman, Spatial City (Paris) DR

Escreve o diário The Guardian que o canto do cisne de Julia Peyton-Jones enquanto directora da Galeria Serpentine inclui, além do pavilhão que já se tornou um hábito nos Jardins de Kensington e que este ano será concebido pelo dinamarquês Bjarke Ingels, quatro “casas de Verão” criadas por outros tantos arquitectos com idades compreendidas entre os 36 e os 93. Em vez de um projecto, cinco.

O programa desta prestigiada galeria que desde 2000 tem levado grandes nomes – e grandes apostas – da arquitectura a Londres é hoje tido como uma extraordinária montra do melhor que ela tem para oferecer em todo o mundo. É certo que o que dele resulta é um projecto efémero, mas a sua influência – e o carácter experimental de muitas das propostas – tem tido grande impacto, defendem os críticos.

Em 2016, o Bjarke Ingels Group, o atelier que, compreende-se, é mais conhecido pela sigla BIG, ficará encarregue do pavilhão de 300 metros quadrados que deverá ter um espaço de café e outro multiusos para fóruns e debates.

Para Oliver Wainwright, crítico de arquitectura e design do diário britânico, há que esperar algo lúdico e capaz de impressionar deste dinamarquês de 41 anos, que define como um “dissidente” que usa a palavra “bigamia” para falar da sua abordagem à disciplina – “porquê ter um se podes ter dois?”, costuma perguntar. “É garantido que ele venha a inventar uma engenhoca capaz de agradar a multidões, com uma boa dose de factor ‘uau!’, não sendo necessariamente algo capaz de oferecer uma experiência espacial profunda para as sensibilidades mais subtis”, escreve Wainwright, defendendo que Ingles e a sua equipa – o dinamarquês dirige a empresa que fundou em 2005, com escritórios em Copenhaga e Nova Iorque e 300 funcionários de mais de 25 países, entre arquitectos, engenheiros, designers e teóricos – são uma “escolha apropriada”.

A expansão do próximo programa dos jardins na despedida de Julia Peyton-Jones, que dirige a Serpentine desde 1991 e que se vai reformar no final do ano, inclui ainda o convite a quatro arquitectos para que proponham pavilhões mais pequenos – as tais “casas de Verão” – inspirados no Templo da Rainha Carolina, uma estrutura de contornos neoclássicos, em pedra, construída em Kensington em 1734, segundo um desenho do paisagista e arquitecto inglês William Kent.

Asif Khan, 36 anos e com escritório em Londres, conhecido pelos seus pequenos pavilhões olímpicos interactivos, é um deles, assim como Kunlé Adeyemi (Lagos/Amesterdão), um nigeriano a quem se deve a Escola Flutuante de Makoko, um edifício na grande lagoa de Lagos, que faz parte de um projecto alargado a que chamou African Water Cities e que já mereceu rasgados elogios. O atelier Barkow Leibinger (Berlim/Nova Iorque), composto por Frank Barkow e Regine Leibinger, a quem se devem, por exemplo, duas torres de escritórios em Seul (Torre TRUTEC) e Berlim (Tour Total); e o francês nascido em Budapeste Yona Friedman, um arquitecto de 93 anos que tem feito carreira a sonhar com megaestruturas, completam o lote de escolhas da directora da galeria, que concebeu este programa e que assegura a sua curadoria há 16 anos.

Cada um destes quatro arquitectos ou ateliers terá de conceber uma estrutura de 25 metros quadrados, tendo o templo de Kent por referência, pode ler-se no site da galeria.

Tanto o pavilhão do BIG como as “casas de Verão”, lembra o crítico do Guardian, foram entregues a arquitectos que não têm nenhum projecto permanente construído em Inglaterra (Bjarke Ingels está prestes a tê-lo), como manda o regulamento da Serpentine, e representam um desafio: as equipas trabalham, à partida, sem orçamento (o financiamento depende de patrocínios e da posterior venda das estruturas a coleccionadores) e com um prazo muito limitado para dar resposta à encomenda – seis meses.

“Tem sido emocionante encomendar todos estes projectos e será igualmente estimulante vê-los executados”, reconhece Julia Peyton-Jones na página oficial da Serpentine. “Mal podemos esperar por desvendá-los este Verão.”

O projecto que a galeria londrina inaugurou há 16 anos já contou com pavilhões assinados por alguns dos mais importantes arquitectos do mundo, como Álvaro Siza, Frank Gehry, Peter Zumthor, Jean Nouvel e Zaha Hadid, mas também por nomes de outras gerações, com carreiras em ascensão, como Smiljan Radic, Sou Fujimoto ou o atelier Selgas Cano.