Manter a operação actual no Sá Carneiro é o "o mínimo" que a TAP pode fazer

Rui Moreira tentou demonstrar o abandono do aeroporto pela TAP, e espera que a companhia dê sinais de pretender cancelar a anunciada supressão de quatro rotas a partir do Porto.

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Rui Moreira espera que o Governo assegure operação da TAP no Porto Adriano Miranda

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, diz que o mínimo que a TAP pode fazer, se quiser merecer o estatuto de empresa pública e, como tal, ser prestadora de serviço público, é deixar a oferta que ainda tem no aeroporto Francisco Sá Carneiro como está. “Isso é o mínimo que a TAP pode fazer”, disse esta segunda-feira numa conferencia de imprensa onde se disponibilizou  a responder a perguntas dos jornalistas, e onde pediu à transportadora aérea para cancelar a anunciada suspensão das ligações entre o Porto e os aeroportos de Milão, Barcelona, Bruxelas e Roma.

É desses sinais imediatos que o autarca diz estar à espera, depois de ouvir - “como todos ouvimos” - o primeiro-ministro António Costa dizer que a TAP voltou a ser pública” e que manterá no Porto um hub estratégico. “Manter as ligações tal como está é o mínimo que pode fazer. E, já agora, também acabar com essa provocação que é a anunciada ligação entre Lisboa e Vigo”, exortou, referindo também, como negativo, uma suposta intenção de diminuir as ligações nocturnas entre Gatwick (Londres) e o Porto, que neste momento não tem alternativa disponível neste aeroporto. 

“Saúdo a decisão do governo de manter a TAP como empresa pública e que, como tal, terá de fazer serviço publico, servir as várias regiões do país, e não apenas Lisboa”, afirmou o autarca. Rui Moreira respondeu que ainda não falou com o primeiro ministro sobre este assunto, mas que já tem marcada uma reunião com o Ministro do Planeamento e das Infra-estruturas, Pedro Marques, cuja data vai “divulgar oportunamente”. O ministro afirmou este fim-de-semana que a estratégia da TAP para o Porto continua a ser de aposta, “como se pode aferir por uma anunciada ponte aérea entre as duas cidades", numa declaração vai contra o que vários actores regionais têm defendido, mas Rui Moreira preferiu desvalorizá-la, e prefere atentar no que disse o chefe do Governo.

O presidente da Câmara do Porto considera que a TAP já há muito que não aposta no Porto, alegando que  que não se pode chamar de hub à base que tem instalada no Sá Carneiro. No léxico da aviação civil, um hub é uma espécie de plataforma giratória de uma companhia aérea onde existem muitas ligações a outras cidades e nela faz transbordo de passageiros. Numa nova frente de batalha de números – que a TAP se tem escusado a rebater – o independente revelou no portal da Autarquia novos dados recolhidos junto de documentos oficiais e que demonstram não existir nenhum hub da TAP no Porto, e que, pelo contrário, há três milhões de passageiros que são obrigados a voar para a Portela para alimentar a plataforma em Lisboa.

O presidente  da Câmara do Porto diz que não tem vindo a tomar posição sobre as matérias da TAP apenas nessa qualidade, mas antes a dar eco de preocupações manifestadas por autarcas (o assunto esteve em discussão nas recentes reuniões do Eixo-Atlântico e da Conselho Metropolitano do Porto) e por varias associações empresariais. Este sábado, e depois de conhecida a reversão da privatização da TAP, também a Associação Empresarial de Portugal emitiu um comunicado a dizer que havia chegado a hora de reverter “a tentativa de desvalorização do aeroporto de Sá Carneiro”.

Rui Moreira não aceita que sejam invocados critérios de gestão na supressão de linhas aéreas que tem taxas de ocupação superiores a 90%, e recorda que outras companhias de bandeira, de outros países, anunciaram novas rotas para o Porto. As mais recentes foram a Lufthansa, que vai acrescentar à operação para Frankfurt quatro ligações semanais para Munique, e a Andorra Airlines, que vai iniciar a sua actividade com ligações ao Porto.