Passos recandidata-se pela “social-democracia sempre!”

O actual líder quer “mostrar que o PSD continua a ser um partido social-democrata”. O seu mandatário nacional, Fernando Ruas, quer ver Passos Coelho na “linha da frente” do partido e de Portugal.

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Passos Coelho ouviu ontem os partidos sobre data das eleições
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Passos recandidat-se ao quarto mandato à frente do partido MIGUEL MANSO

Já se sabia que Pedro Passos Coelho iria recandidatar-se à liderança do PSD, mas agora o próprio veio anunciar, num curto vídeo no Facebook, que tal acontecerá já na quinta-feira, o que significa que será no mesmo dia em que o Conselho de Ministros deverá fechar a proposta de Orçamento do Estado para 2016. O ex-primeiro-ministro, que já foi criticado por, durante o seu mandato à frente do executivo, se ter afastado da matriz social-democrata e adoptado uma postura mais neoliberal, apresenta-se com um lema que não deixa margem para dúvidas: “Social-democracia sempre!”

“Na próxima quinta-feira, dia 4, vou apresentar a minha recandidatura à liderança do PSD aqui em Lisboa às 21h. É muito importante poder contar com a vossa participação nesse momento em que criaremos, julgo eu, uma oportunidade para mostrar que o PSD continua a ser um partido social-democrata com a capacidade de fazer, transformar o país, mobilizar os portugueses e oferecer do país uma visão ambiciosa que todos precisamos de concretizar”, diz no vídeo disponível na página do Facebook dedicada precisamente à sua recandidatura. No final do vídeo, lança o apelo: “Mas para isso preciso de contar convosco também.”

Nesta segunda-feira, o eurodeputado Fernando Ruas também surge num vídeo, na mesma página, uma vez que volta a ser o mandatário nacional da candidatura. No vídeo, Fernando Ruas diz que é “um grande privilégio”, uma “honra”, voltar a ser o mandatário nacional de Pedro Passos Coelho.

“É uma enorme responsabilidade, eu bem o sei, mas é também um orgulho poder representar o cidadão e o militante exemplar, bem assim como o ser humano excepcional”, afirma, referindo-se ainda à “marca distintiva” de “um grande carácter” e ao “sentido apuradíssimo do dever” que fazem do actual líder do PSD um “grande estadista”.

“E é por todas estas razões que quero naturalmente continuar a vê-lo na linha da frente do meu partido e também naturalmente na linha da frente de Portugal”, acrescenta o eurodeputado.

Passos Coelho foi eleito presidente do PSD em 2010, reeleito em 2012 e novamente em 2014. Agora vai a votos a 5 de Março, dia das eleições directas para presidente do partido.

As candidaturas à liderança podem ser apresentadas até ao dia 1 de Março, segundo o regulamento da eleição do presidente da comissão política nacional e do 36.º congresso nacional do partido divulgado aos conselheiros nacionais. O congresso ordinário do partido realiza-se entre 1 e 3 de Abril em Espinho e é nele que é discutida a moção de estratégia global do líder eleito e as moções temáticas. No dia das eleições directas para líder são ainda escolhidos os 750 delegados ao congresso.

O presidente do PSD-Madeira, Miguel Albuquerque, já subscreveu a recandidatura de Pedro Passos Coelho. No domingo, nas Furnas, concelho da Povoação, ilha de São Miguel, o também presidente do governo regional disse aos jornalistas que o líder nacional dos sociais-democratas “faz bem” em avançar.

“Da Madeira fui o primeiro subscritor da candidatura”, afirmou, citado pela Lusa. Questionado sobre a eventualidade de surgir um madeirense candidato à liderança do PSD, respondeu, entre risos, que “não vai aparecer”.