Prestação da casa vai continuar a baixar em 2016

Bancos terão de suportar uma parte dos juros na maioria dos empréstimos da casa.

No final de 2012 existiam cerca de 118 mil fogos de habitação social no país
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Euribor a seis meses teve uma queda acentuada ao longo do ano Pedro Cunha

As taxas Euribor a três e seis meses, as mais utilizadas nos empréstimos à habitação em Portugal, terminaram o ano em terreno negativo, um patamar em que deverão permanecer ao longo de 2016. Mas o reflexo destas taxas na prestação mensal é cada vez menor.

A previsão do BPI para a evolução da Euribor a três meses aponta para uma estabilização nos actuais valores (-0,132%) até Junho, subindo ligeiramente nos seis meses seguintes, mas terminando o ano ainda em terreno negativo de - 0,1%. O banco não faz estimativas para a Euribor a seis meses, mas esta, actualmente em -0,041%, deve terminar o ano encostada a zero, dada a diferença entre os dois prazos.

PÚBLICO -
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Em declarações ao PÚBLICO, Paula Carvalho, economista-chefe do BPI, admite que “os valores mínimos das taxas poderão ter sido alcançados”, esperando-se assim uma estabilização nos próximos seis meses. A ligeira subida no segundo semestre deverá reflectir os efeitos das diversas medidas do Banco Central Europeu (BCE), que visam a normalização do mercado de crédito e o consequente financiamento à economia, explica a economista.   

O impacto da queda das taxas na prestação da casa é cada vez menor, uma vez que a subida da componente de amortização compensa uma parte da redução dos juros. No entanto, esta situação é positiva para os detentores de empréstimos, porque reduz mais rapidamente o montante de capital em dívida.

Tal como já aconteceu em 2015, os bancos continuarão a suportar uma parte dos juros na quase totalidade dos contratos, uma vez que terão de descontar os valores negativos (das taxas a três e a seis meses) nos spreads ou margem comercial do banco, que integram a taxa de juro final.

Ao longo de todo o ano de 2015, a Euribor a três meses passou de um valor médio em Dezembro de 2014 de 0,082% para - 0,122% (média do último mês menos uma sessão). Esta taxa está em terreno negativo desde 21 de Abril. De acordo com uma simulação do PÚBLICO, a redução na prestação de um empréstimo de 150 mil euros, a 30 anos, com um spread de 0,7%, foi de apenas 13,58 euros.

Na Euribor a seis meses, negativa a 6 de Novembro, a queda ao longo do ano foi menor, mas o impacto na redução da prestação é semelhante. A média da Euribor a seis meses estava em Dezembro de 2014 em 0,177% e no último mês fixou-se em -0,044%.

Os empréstimos a rever em Janeiro utilizarão a média mensal da Euribor a três meses Dezembro e vão corresponder, segundo uma simulação do PÚBLICO, a uma prestação de 453,94 euros. Nesta prestação, a fatia correspondente a amortização de capital ascende a 381 euros e a de juros apenas a 72,25 euros.

A queda da Euribor é positiva para as famílias e empresas com empréstimos associados a estas taxas, mas é negativa para quem tem poupanças associadas a este indexante, como os Certificados de Aforro e outros depósitos bancários. A rentabilidade da maioria dos depósitos a prazo tem como referência as taxas do crédito e isso explica que a remuneração de muitas aplicações nos bancos seja muito reduzida ou mesmo de zero.

De acordo com dados da Deco/Proteste, a taxa média para um depósito de cinco mil euros, a 12 meses está em 0,3%.

A queda das taxas Euribor é explicada pela política monetária do BCE, que tem a sua taxa directora encostada a zero e tem outras, como a dos depósitos, em valores negativos, como forma de contrariar os depósitos na instituição e estimular a concessão de crédito às economias da zona euro.