“Isto não está decidido”, diz Sampaio da Nóvoa

Em entrevista à SIC, o candidato presidencial disse ser o mais bem colocado para assegurar a “convergência” frente a Marcelo Rebelo de Sousa.

Sampaio da Nóvoa
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Sampaio da Nóvoa Ricardo Castelo\NFACTOS (arquivo)

António Sampaio da Nóvoa apresentou-se nesta entrevista televisiva pouco preocupado com as duas contrariedades que, a pouco mais de um mês das eleições, mais parecem contribuir para o clima de desinteresse que tem rodeado estas presidenciais. Por um lado, a existência de várias candidaturas à esquerda. Por outro lado, a confortável margem que Marcelo Rebelo de Sousa leva de avanço nas sondagens

Para ambas as circunstâncias, Nóvoa trazia uma resposta. “Isto não está decidido”, afirmou. Nem a dispersão de votos à esquerda o preocupa. A convergência far-se-á, acredita. “Vai haver um momento, o mais tardar na segunda volta”, afirmou, em que isso se tornará inevitável.

“A minha passagem à segunda-volta depende dos portugueses”, enfatizou o antigo reitor, que se escusou a confrontar as restantes candidaturas na sua área. Garantiu, até, que não fez nenhum contacto com Marisa Matias ou Edgar Silva para assegurar uma sua eventual desistência. “Não houve nenhum contacto. Era o que mais faltava. Todas as candidaturas são legítimas.”

Já quanto a Marcelo Rebelo de Sousa, Nóvoa mostrou as diferenças que o separam. O seu antigo colega na Universidade de Lisboa representa, na sua opinião, “uma visão das políticas do antigamente”, “da austeridade”.

Nóvoa coloca-se no campo da “mudança”. “Abrimos agora um novo ciclo político, que vejo com muita esperança”, referiu, sobre o novo ciclo aberto com a posse do actual Governo. Mas guardou a sua distância. Será o candidato do actual primeiro-ministro, perguntaram-lhe. “Nunca serei”, respondeu.

Quanto ao apoio oficial do PS, Nóvoa garante que tal nunca foi tema de conversa com Costa. “Nem eu lhe pedi, nem ele me prometeu.”

Se for eleito Presidente, Nóvoa garante que há três áreas em que pode intervir, colocando temas na discussão pública. O primeiro é o da “qualidade da democracia”. Por isso, o candidato insistiu que vem “de fora dos partidos” – “não venho em nome de tricas políticas”.

Os outros dois são temas caros à esquerda: a importância do conhecimento e o papel de Portugal na Europa. “Há um conjunto de regras no plano europeu que têm de ser revistas”, garantiu, repetindo a sua convicção sobre os benefícios de uma reestruturação das dívidas para o relançamento económico na União Europeia. Para Nóvoa, a estratégia do “bom aluno” não pode ser a de uma diplomacia silenciosa. “O bom aluno é o que faz ouvir a sua voz.”

Recordando que foi determinante para a sua candidatura “o apoio de Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio”, Nóvoa remete para os ex-Presidentes uma resposta sobre a sua alegada “inexperiência política”. “Se estamos a falar de um tipo de experiência política de que os portugueses estão cansados, não tenho...”

“Gosto desta Constituição e candidato-me em nome desta Constituição.” Defensor da “estabilidade”, garante não renunciar a “nenhuma das competências que o Presidente tem”, se for eleito.