Mark Zuckerberg vai doar 99% das suas acções do Facebook ao longo da vida

Anúncio feito numa carta em que também é comunicado o nascimento da filha.

Mark Zuckerberg, a mulher e a filha
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Mark Zuckerberg, a mulher e a filha Reuters

No exacto momento em que comunicou ao mundo o nascimento da filha, Mark Zuckerberg, um dos co-fundadores do Facebook, anunciou que vai doar 99% das suas acções da rede social a uma nova fundação, a Chan Zuckerberg Initiative, destinada a melhorar o potencial humano e a promover a igualdade entre todas as crianças na próxima geração.

“Vamos doar 99% das nossas acções do Facebook – que actualmente valem cerca de 45 mil milhões de dólares (42.500 milhões de euros) – durante as nossas vidas para fazer avançar esta missão. Sabemos que esta é uma pequena contribuição comparada com todos os recursos e talentos do que já estão a trabalhar nestes temas”, escrevem Zuckerberg e a mulher, Priscilla Chan, numa carta dirigida à filha e publicada no Facebook.

“Nos próximos meses, assim que estivermos adaptados ao nosso novo ritmo familiar e de volta ao trabalho depois das nossas licenças de paternidade e maternidade, partilharemos mais detalhes. Percebemos que tenham muitas perguntas sobre porquê e como estamos a fazer isto”, lê-se ainda na carta.

Já no final da missiva, Zuckerberg explica que vai continuar a ser presidente-executivo do Facebook "por muitos e muitos anos". "Mas estes assuntos são demasiado importantes para esperar até que sejamos velhos."

A few weeks before Max’s birth, Priscilla and Mark took a morning to reflect and record their hopes for their daughter and all children of her generation.

Posted by Chan Zuckerberg Initiative on Tuesday, December 1, 2015

Pouco depois do anúncio de Zuckerberg, o Facebook enviou um comunicado aos mercados, em que especifica que o seu presidente "não planeia vender ou doar mais do que 1000 milhões de dólares (945 milhões de euros) em acções em cada um dos próximos três anos" e que Zuckerberg "pretende manter a sua posição maioritária num futuro previsível."

Na longa carta (2234 palavras ou 13 mil caracteres), Mark Zuckerberg e a mulher começam por dizer que o nascimento da filha é uma oportunidade para reflectir sobre o “mundo em que vivemos”. “Como todos os pais, queremos que cresças num mundo melhor do que o nosso”, escreve o casal multimilionário.

Embora defendendo que “de muitas maneiras, o mundo está melhor” – “a saúde está a melhorar, a pobreza está a encolher, o conhecimento está a crescer” –, o casal Zuckerberg-Chan considera que nem sempre os recursos estão a ser dirigidos para atacar os grandes problemas da próxima geração.

“Actualmente, a maior parte das pessoas morre de cinco coisas – ataque cardíaco, cancro, AVC, doenças neuro-degenerativas e doenças infecciosas – e nós podemos fazer progressos mais rápidos [para resolver] estes e outros problemas”, lê-se na carta, em que Zuckerberg e Chan explicam que a fundação se vai concentrar em dois grandes objectivos: “melhorar o potencial humano e promover a igualdade”.

Deixando no ar perguntas como "será que a nossa geração pode eliminar as doenças?" ou "pode a nossa geração eliminar a pobreza e a fome?", Zuckerberg regressa a um tema que lhe é muito querido: a Internet. "Muitas das grandes oportunidades da tua geração virão de toda a gente ter acesso à Internet", diz na carta escrita à filha, lamentando que actualmente "metade da população mundial - cerca de quatro mil milhões de pessoas - ainda não tenha "acesso à Internet".

Ao longo da carta, o co-fundador do Facebook fala de vários objectivos, como o ensino personalizado, a cura de doenças, a ligação à Internet e o reforço dos laços das comunidades, temas que, aliás, vê interligados.

"Em parceria com as escolas, os centros de saúde, as associações de pais e os governos locais, e assegurando que todas as crianças são bem alimentadas e tratadas desde pequenas, podemos começar a tratar estas desigualdades como algo interligado", escreve Zuckerberg, que, no entanto, não deu pormenores sobre como actuará esta fundação no terreno.

Mark Zuckerberg, de 31 anos, e a mulher já tinham destinado 1600 milhões de dólares (1500 milhões de euros) para acções de filantropia, diz a Reuters, notando que este ano já fizeram vários donativos, incluindo a escolas públicas, e ajudaram a melhorar o acesso à Internet no Hospital de San Francisco, onde Chan trabalha como pediatra.

Aos 26 anos, Zuckerberg assinou o Giving Pledge, um documento em que algumas das famílias e indivíduos mais ricos do mundo se comprometeram a dar mais de metade das suas fortunas a causas de filantropia ou de caridade durante a sua vida ou no seu testamento.

Mark Zuckerberg segue agora o caminho de Bill Gates. “Quando era criança, Bill Gates era o meu herói”, já tinha um dia confessado o rosto do Facebook, como recorda agora a AFP.

Lançada em 1994 por Bill Gates, o homem mais rico do mundo segundo a revista Forbes (79.900 milhões de dólares), a Fundação Bill & Melinda Gates tem investido na saúde e desenvolvimento dos países pobres e na educação nos Estados Unidos.

A fundação de Gates tornou-se um gigante da caridade em 2006, quando o multimilionário Warren Buffett, o terceiro homem mais rico do mundo em 2015 (64.100 milhões de dólares) lhe prometeu doar o essencial da sua fortuna.

Priscilla and I are so happy to welcome our daughter Max into this world!For her birth, we wrote a letter to her about...

Posted by Mark Zuckerberg on Tuesday, December 1, 2015