A longa viagem dos Mutantes passa por Lisboa e Porto

A mítica banda do Tropicalismo brasileiro tocará no Armazém F, dia 30 de Novembro, e no Hard Club, dia 1 de Dezembro.

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Da formação clássica dos Mutantes mantêm-se Sérgio Dias (terceiro a contar da direita) e o baterista Dinho Leme (segundo a contar da direita) DR

Renasceram em 2006, quando já eram nome globalizado e, desde aí, editaram dois álbuns e percorreram muitos palcos mundo fora. Chamam-se Os Mutantes e foram um dos nomes destacados do Tropicalismo brasileiro construído por Caetano Veloso, Tom Zé, Gilberto Gil ou Rogério Duprat. Passaram por Portugal em 2007 para tocar no festival Delta Tejo e, agora, estão de volta. Em nome próprio e em dose dupla: 30 de Novembro no Armazém F, em Lisboa (22 euros), 1 de Dezembro no Hard Club, no Porto (20 euros).

Foram a face mais jovem, mais alinhada com o experimentalismo rock’n’roll criado em Londres ou São Francisco, do Tropicalismo brasileiro. Mas Sérgio Dias, Rita Lee e Arnaldo Baptista, trio fundador dos paulistanos Mutantes, não faziam “à moda de”: a sua música adoptava o espírito da contracultura 60s globalizada, mas tinha centro definido no seu país. O que criaram na segunda metade da década de 1960 e no início da seguinte garantiu que ao imenso sucesso no Brasil corresponderia uma influência global em crescendo desde que, na década de 1990, foram sendo redescobertos e passados de mão em mão no resto do mundo.

Com uma sageza pop aliada à curiosidade inata na procura de novos sons, com um psicadelismo surreal onde a sátira social era uma constante e feita de sorriso aberto, os Mutantes deixaram com o imaculado trio de álbuns que lhes marcou o início de carreira – os dois primeiros, homónimos, e o terceiro, A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado –, um corpo de obra que continuou a reverberar em músicos e bandas tão diversas quanto Beck e Kurt Cobain, que tanto os divulgaram na década de 1990, os ingleses Bees (que até gravaram há cerca de uma década uma versão de A minha menina) ou os compatriotas Boogarins.

Da banda que veremos em Portugal estarão ausentes Arnaldo Baptista e Rita Lee, que saiu da banda nos anos 1970 para se dedicar à carreira a solo, com o sucesso que se conhece. Na condução da banda encontramos o guitarrista Sérgio Dias, a alma por trás dos álbuns do regresso, Haih Ou Amortecedor (2009) e Fool Metal Jack (2013). Com ele, Dinho Leme, que integrou os Mutantes em 1968, a voz de Esmeria Bulgari e mais um conjunto de músicos ainda por nascer quando a banda deu os primeiros passos, mas sintonizados com o legado do grupo.

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