Coligação atrasa-se e passa de raspão pelos lesados do BES

Portas condena intenção de Costa de tentar travar um governo minoritário.

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Fotos Miguel Manso
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Manuela, 46 anos, empregada doméstica, esperou quase uma hora para ver Passos e Portas a chegarem a Amarante. Não é que seja apoiante da coligação PSD/CDS – “comigo ele não ganha” - , mas parou para ver passar o cortejo. Era pequeno para uma terra que é forte em PSD. O desemprego e a emigração de muitos talvez ajudem a explicar a pouca mobilização. É o caso de Manuela que viu o seu filho emigrar, depois de a crise na construção civil o ter deixado desempregado.

Nem Passos Coelho, nem António Costa parecem convencê-la a dar o seu voto nas urnas. Se havia uma oportunidade de seduzir esta eleitora, a coligação não a aproveitou.  

Passos Coelho demorou-se no hotel a dar uma entrevista a uma estação televisiva. Chegou ao centro de Amarante quase à hora em que devia estar no ponto seguinte da agenda - Marco de Canaveses. Quando lá chegou era esperado por lesados do BES e ficou apenas por cerca de 15 minutos.

Em Amarante, ao som dos bombos que liderava a caravana, Passos Coelho e Paulo Portas, a par dos candidatos pelo Porto, percorreram a rua sem trânsito, cumprimentando apenas algumas pessoas que se conseguem aproximar dele. “Vamos lá ver o homem”, espreitava uma reformada à porta de uma loja. “Sou por ele. Para melhor não vamos, pois não?”.

No final da rua era dada a mensagem política. A coligação mantém a lógica do “polícia bom, polícia mau” e cabe a Paulo Portas ser o franco atirador ao líder do PS.

A notícia publicada pelo Expresso, sem citar fontes, de que António Costa se prepara para não viabilizar um governo de minoria da coligação deu o mote. Ao lado de Passos Coelho, o líder do CDS começou por dizer que “tem uma gravidade séria” a intenção de António Costa de “impedir a aprovação do programa de Governo”.

Uma situação que seria “inédita” na democracia portuguesa, apontou o líder da coligação, acusando o líder do PS de já não falar como se fosse ganhar mas só ameaçar o que fará se perder”. À luz da Constituição, o programa de Governo não é obrigatoriamente votado e só pode ser chumbado por uma maioria de deputados. Mas a intenção da coligação PSD/CDS é dramatizar e encostar mais o PS mais à esquerda. "Em democracia quando o povo escolhe não deve ser respeitada a vontade do povo? Eu acho que isto tem muito pouco a ver com o PS democrata e fundador da democracia. Isto é uma radicalização extrema da atitude política", sublinhou Paulo Portas.

Depois das declarações aos jornalistas, a caravana arrancou a alta velocidade para o ponto seguinte. Aí esperava-os um grupo menos amigável – os lesados do BES. Luís Ferreira, 76 anos, não se cansa se protestar, já foi a Lisboa mais de 30 vezes para mostrar o seu descontentamento. Aqui, no Marco de Canaveses, está mais perto de casa – Braga - e parece querer seguir a coligação nesta passagem pelo distrito do Porto.   

Perdeu 80% das suas economias que tinha no BES, numa conta que abriu há mais de 40 anos. A solução de Passos Coelho não o convence e aponta para o reformado que está à sua frente. “Como é que ele com 82 anos e a mulher com 86 anos vão para tribunal?”, questionou. Já sabia que o primeiro-ministro não ia falar com estes manifestantes vestidos de preto e com bandeiras negras. “A sentença dele está lavrada”.