Justiça alemã abre inquérito ao caso da Volkswagen

Ministério Público quer tentar identificar eventuais responsáveis pela fraude nos motores de 11 milhões de carros da marca. Acções da empresa estavam a subir depois da forte queda dos últimos dias.

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A fraude foi divulgada a 18 de Setembro, Winterkorn demitiu-se no dia 23 Johannes Eisele/AFP

Segundo a AFP, neste momento o objectivo é “recolher e analisar” todas as informações e as várias queixas apresentadas contra o fabricante, desde o surgimento do escândalo, assim como identificar eventuais “responsáveis” pela fraude.

O gigante alemão da indústria automóvel admitiu ter instalado um software nos motores de 11 milhões de veículos, com o objectivo de falsificar os testes de emissões de gases poluentes, tendo reservado 6500 milhões de euros para lidar com o processo.

Vários países, como a França e a Itália, já anunciaram que vão submeter os carros da marca a novos testes — o último foi a Coreia do Sul, já nesta quarta-feira — e Londres pediu um inquérito à Comissão Europeia.

Nesta quarta-feira, a imprensa alemã dá conta de uma reunião do conselho executivo do grupo, em Wolfsburg, no norte da Alemanha, para apurar até que ponto o presidente executivo Martin Winterkorn estava a par da falsificação dos testes de emissões e definir a estratégia da empresa para lidar com a crise.

Winterkorn já pediu desculpas públicas pelo sucedido, admitindo que a empresa traiu a confiança de milhões de pessoas, mas recusou demitir-se. Já o responsável da Volkswagen América, Michael Horn, foi mais prosaico e reconheceu que a empresa “fez asneira”.

Acções recuperam após forte queda na bolsa
Depois da queda acumulada de 32% registada desde sexta-feira, as acções da Volkswagen estavam nesta quarta-feira, a meio da manhã, a recuperar 3,7% na ordem dos 110 euros. Porém, esta ligeira recuperação não é suficiente para fazer face às perdas registadas desde o início da semana e para reconquistar a confiança dos investidores.