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Francisco chegou a Havana para consagrar as relações Cuba/EUA

"Peço aos líderes políticos que dêem um exemplo de reconciliação a todo o mundo", disse o Papa à sua chegada a Havana.

O Papa ouvindo Raúl Castro, pouco depois de chegar a Havana
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O Papa ouvindo Raúl Castro, pouco depois de chegar a Havana AFP

O Papa Francisco chegou a Havana, a capital cubana e, na presença do Presidente Raúl Castro, não demorou a ir directo ao assunto: a normalização das relações entre a ilha comunista e os Estados Unidos, "um acontecimento que nos enche de esperança".

O Papa, que assumiu um papel de mediação no processo de entendimento entre os dois países inimigos desde 1959, falou para o Governo de Havana mas também para o de Washington, ao dizer que esta aproximação é "um sinal de vitória da cultura do encontro e do diálogo e do sistema do crescimento universal sobre o sistema de grupos e dinastias, que está morto para sempre".

Francisco chegou a Cuba para uma visita de quatro dias que, além de evangélica, é também a sua viagem mais política das que já realizou. "Peço aos líderes políticos que como prova daquilo que foram chamados a fazer em nome da paz e do bem-estar dos seus povos, preservem este caminho e que desenvolvam a sua potencialidade, dando um exemplo de reconciliação a todo o mundo".

Castro, que primeiro falou para dar as boas vindas ao Papa, começou o seu discurso aproximando-se da mensagem que Francisco tem vindo a divulgar — a necessidade de a riqueza ser mais bem distribuída e de haver um regresso a valores humanistas, em detrimento do lucro. "A nossa região sofre a desigualdade da distribuição da riqueza", disse o Presidente cubano, falando na necessidade de "salvar a humanidade da auto-destruição". Rapidamente foi também directo ao assunto na ordem do dia — antes do Papa aterrar, Castro esteve ao telefone com Barack Obama, que recebe o Papa nos EUA na terça-feira —, dizendo que depois do restabelecimento de relações diplomáticas, devem seguir-se decisões concretas que "ajudem a resolver os problemas e a reparar injustiças". O bloqueio económico "que causa danos humanos, é imoral e ilegal, tem que acabar", disse, pedindo a Washington a devolução de Guantánamo. Agradeceu ao Papa a sua mediação.

O Papa, que chegou a Cuba às quatro da tarde (21h em Lisboa), seguiu depois para a nunciatura em Havana, dentro de um papamóvel de design cubano e aplaudido por uma multidão que esperou durante horas ao calor intenso para o ver. Amanhã, Francisco celebra missa na Praça da Revolução, e a AFP diz que poderá ser nesse período que se encontrará com o histórico líder cubano, Fidel Castro. Logo no início do seu discurso de saudação, no aeroporto de Havana, Francisco pediu a Raúl para transmitir o seu "respeito e consideração" a Fidel.

Na tarde de domingo, Francisco — o primeiro Papa sul-americano mas o terceiro em 17 anos a visitar Cuba — volta a encontrar-se com o Presidente cubano, seguindo nos dias seguintes para Holguin e Santiago. Na terça-feira parte para os Estados Unidos.

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