Rússia envia mais armamento para a Síria e prepara base para ataques aéreos

Moscovo não exclui nenhuma hipótese para ajudar Assad no seu combate contra os extremistas islâmicos. Base em Latakia tem dois novos heliportos, mas ainda não tem aeronaves.

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Destruição na cidade síria de Kobane YASIN AKGUL/AFP

A Rússia está a aumentar a sua presença militar na Síria e a renovar uma base de operações aéreas no Norte do país para apoiar o regime de Bashar al-Assad no combate ao autoproclamado Estado Islâmico. Imagens de satélite publicadas na segunda-feira mostram novas construções na base russa em Latakia, na costa do Mediterrâneo e no bastião alauita do Presidente sírio. Na base, para além de materiais de construção e várias zonas de terra remexida, há dois novos heliportos e caminhos de asfalto que ligam à pista principal.

Os Estados Unidos acusam o Governo russo de estar a preparar acções militares no país em segredo e dizem que Moscovo pode no futuro perturbar os seus próprios bombardeamentos ao grupo jihadista. Segundo cálculos do Pentágono, os russos têm já na Síria 200 fuzileiros navais, sete tanques T-90, 15 peças de artilharia pesada Howitzer, 35 veículos blindados de transporte e material de habitação para 1500 tropas. Chegaram ao longo da última semana, a bordo de 15 aviões de transporte militar Condor. As últimas peças foram os tanques, dos mais sofisticados no armamento activo de Moscovo. Apesar das tentativas norte-americanas em fechar os corredores aéreos da Rússia para a Síria, Irão e Iraque autorizaram a passagem das aeronaves. Washington diz que, por enquanto, não há ali jactos ou helicópteros russos.

Moscovo não se afasta dos argumentos das últimas semanas. Embora a princípio tenha afirmado que os seus voos para a Síria transportavam apenas apoio humanitário, o Governo russo declara agora abertamente que os aviões de carga que têm aterrado nos últimos dias na Síria levam armamento para ajudar o exército de Bashar al-Assad na luta contra o “terrorismo” – pese o facto de, aos olhos do Kremlin, todos os grupos armados de oposição se inserirem neste termo. “Apoiamos o Governo da Síria na sua luta contra a agressão terrorista, providenciamos-lhe e continuaremos a providenciar-lhe toda a assistência militar necessária”, disse nesta segunda-feira o Presidente russo, Vladimir Putin, no Tajiquistão. 

Desde o início da guerra na Síria que Moscovo envia armas ao aliado Assad, tal como, no campo oposto, Estados Unidos, Turquia e aliados ocidentais no Golfo enviam armas a grupos rebeldes. Montar uma base militar para ataques ao Estado Islâmico ou ter uma presença substancial de tropas no país, no entanto, seriam avanços inéditos para Moscovo. Putin não exclui a possibilidade de entrar com tropas na Síria, mas garante que, por enquanto, os seus militares no terreno estão lá para treinar o exército de Assad na utilização do novo armamento. Algo que dificilmente justifica as obras dos últimos dias na sua base em Latakia.

O Pentágono diz que está pronto para receber de braços abertos a ajuda da Rússia na batalha contra os jihadistas na Síria. Mas não a ajuda de Moscovo a Assad. “Arrisca-se a desestabilizar ainda mais uma situação já de si instável”, disse na segunda-feira o porta-voz do Pentágono. Já o Presidente russo aproveita a indefinição no Ocidente sobre o que fazer com o Governo sírio e como estancar o sangramento de refugiados para a Europa. Putin insistiu nesta terça-feira em dizer que Assad é uma peça fundamental para derrotar o Estado Islâmico. “Sem a participação activa das autoridades e exército sírio, seria impossível expulsar os terroristas do país.”