Um mês de “transgressões” na Casa da Música

Ópera Giordano Bruno abre a 12 de Setembro um novo ciclo de concertos, dos mais de meia centena que ocorrerão até ao Natal.

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Foto de ensaio da ópera Giordano Bruno DR

A rentrée da Casa da Música começa já este fim-de-semana com o regresso, pelo terceiro ano consecutivo, dos Concertos na Avenida dos Aliados: na sexta-feira, a Banda Sinfónica Portuguesa, acompanhada por bailarinos de cinco escolas de dança, revisita o swing da Nova Iorque dos anos 1930; no dia seguinte, a Orquestra Sinfónica do Porto (OSP) dá expressão ao imaginário ibérico que podemos encontrar em obras de Joly Braga Santos, Luís de Freitas Branco e Manuel de Falla, mas também de Bizet e Dvorák.

Mas será no dia 12 de Setembro, com a estreia mundial de uma nova produção operática, Giordano Bruno, que a Casa da Música verdadeiramente mostra o que será a face da sua programação do quarto semestre deste ano que está a ter a Alemanha como país-tema.

E a palavra de ordem é Transgressões, um novo ciclo de sete concertos (12 Set-9 Out) com que o director artístico da Casa, António Jorge Pacheco, quer “colocar à discussão o que é transgredir em música, onde está a fronteira entre uma transcrição e uma transgressão”, por exemplo.

Giordano Bruno (1548-1600) foi um monge dominicano italiano, também teólogo e filósofo, que foi queimado na fogueira pela Inquisição por ter defendido a infinitude do universo e outras teses consideradas contrárias à doutrina da Igreja. A sua aventura deu uma ópera, com libreto de Stefano Busellato/Nanni Balestrini e música de Francesco Filidei, que o Remix Ensemble, acompanhado pelo Coro Théâtre & Musique (Paris), vai apresentar em estreia mundial na Sala Suggia, para depois fazer o circuito dos palcos europeus de que a formação portuense de música contemporânea é habitual frequentadora, nomeadamente Estrasburgo e Milão.

Um segundo momento forte de Transgressões acontecerá a 26 de Setembro, com a OSP a interpretar obras de Mozart e de Schumann, respectivamente transcritas (“transgredidas”?) pelo compositor nova-iorquino Charles Wuorinen (Prémio Pulitzer 1994 e autor da ópera Brokeback Mountain) e pelo alemão Hans Zender.

O primeiro fim-de-semana de Outubro vai estar também recheado de “transgressões”, a mais notória das quais acontecerá a 1, Dia Mundial da Música, com uma produção do Serviço Educativo que distribuirá pelos vários palcos da Casa mais de 300 flautas, saxofones e clarinetes, na estreia mundial de uma peça encomendada ao compositor Daniel Moreira – paralelamente, serão estreadas outras obras de alunos do curso de Composição da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, e subsequente atribuição de um novo Prémio de Composição Casa da Música/ESMAE.

A conferência de imprensa para a apresentação da programação da Casa, esta quarta-feira, serviu também, de resto, para a divulgação do programa geral do SE para 2015/16, que, como habitualmente, segue o calendário do ano lectivo. Terá – explicou o seu responsável, Jorge Prendas – mais de 1200 eventos, entre espectáculos, workshops, acções de formação e outras iniciativas dirigidas tanto ao público escolar e famílias como a pessoas com necessidades especiais.

Outubro será ainda o mês do Outono em Jazz, em terceira edição, “um festival com cinco concertos duplos que reflectirá o cruzamento do jazz com outras linguagens musicais e outras geografias além da portuguesa, como a Espanha, a África ou a Coreia do Sul”, anunciou Fernando Sousa.

No calendário dos concertos, assinale-se o regresso de Carla Bley à Casa da Música (dia 18), com o projecto Trios, uma retrospectiva dos últimos vinte anos da sua carreira, ao lado de Steve Swallow (baixo) e Andy Sheppard (saxofone); e a estreia no Porto do trio líbano-luxemburguês Khalifé/Tristano/Schumacher, jazz de experimentação e de fusão (21). Rodrigo Amado (dia 4), Carlos Martins (17) e Mário Laginha (21) serão as presenças portuguesas no Outono em Jazz.

Um festival que já tem história firmada na Casa da Música é o À Volta do Barroco (1 -24 Nov), que neste Ano Alemanha terá dois nomes que “são expoentes máximos da música nesse país”, lembra António Jorge Pacheco: a Akademie Für Alte Musik Berlin (dia 1), que, dirigida por Georg Kallweit, fará um programa integralmente dedicado a Bach; e o cravista Andreas Staier (dia 3), Artista em Associação este ano no Porto, que tocará também Bach e Couperin.

No último mês do ano, num alinhamento de três concertos com Música para o Natal (18-20 Dez), o destaque vai para outro regresso à Casa, com a soprano Elisabete Matos (que esteve no espectáculo de inauguração do edifício de Rem Koolhaas, em 2005), a interpretar clássicos da ópera e do bel-canto. E também para a reunião da Orquestra Barroca com o Coro Casa da Música, a interpretarem a Oratória de Natal de Heinrich Schütz e o Magnificat de Bach.