Terceira carta de Costa destaca conhecimento e inovação

Pelo menos durante esta semana o candidato socialista manterá esta relação epistolar com os eleitores indecisos.

António Costa
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Costa esteve reunido com os autarcas do distrito de Viana do Castelo Nuno Ferreira Santos

A terceira carta de António Costa aos eleitores indecisos, que o PÚBLICO divulga na edição desta quarta-feira, destaca a importância do conhecimento e da inovação para o desenvolvimento. Nesta missiva, o secretário-geral do PS contrapõe aquela via ao empobrecimento, redução de salários, eliminação de direitos laborais, privatização do Estado Social e diminuição dos impostos às empresas, práticas que, acusa, foram seguidas pelo actual Governo de Passos Coelho.

“Não há empresas inovadoras assentes na precaridade” e “inovar exige investimento no conhecimento” sublinha o documento, dando como exemplo a modernização de sectores tradicionais da economia portuguesa, do calçado ao metalomecânico, do agroalimentar ao têxtil. Um esforço conseguido na competição pelo incremento do valor acrescentado em detrimento da mera redução de custos “com recurso à mão-de-obra infantil e à contrafacção.”

“A cultura, a ciência, a educação e a formação ao longo da vida são os pilares da sociedade do conhecimento, garantia de uma cidadania activa, condição da capacidade para enfrentar as incertezas do futuro, habitat natural de uma economia empreendedora, criativa, inovadora e que se internacionaliza”, refere a carta intitulada “O conhecimento é a chave do desenvolvimento”.

É a reafirmação da aposta no que o PS considera um modelo diferente de desenvolvimento. “Em alternativa à redução indiscriminada do IRC ou da TSU, devemos ser selectivos, concentrando os investimentos em inovação e no combate à precaridade laboral”, sintetiza.

A iniciativa das cartas aos eleitores indecisos, segundo o staff de António Costa, decorre esta semana. Contudo, não está posta de parte a possibilidade de ser replicada durante a campanha, em casos concretos. Deste modo, o PS pretende manter viva a chama de uma “campanha de proximidade” através de uma relação epistolar com o eleitorado.

Na primeira missiva, publicada na segunda-feira na página oficial da campanha Costa 2015, o candidato socialista fez um apelo à mobilização do eleitorado. Alertou para a importância das legislativas de 4 de Outubro, que considerou como decisivas. E mostrou-se confiante: “Nada abala a maioria absoluta que os portugueses se preparam para dar ao PS em Outubro.”

Na terça-feira, a carta publicada no DN era de tom optimista e de confiança nos destinos do país. No argumentário, cruzavam-se realizações colectivas recentes – Serviço Nacional de Saúde, Alqueva e avanços na Ciência nos últimos 20 anos -, com o passado de seis séculos das descobertas. Com o objectivo, escreve o dirigente socialista, de “descobrir e valorizar as Índias e os Brasis que temos em nós.”

Nesta terceira carta, em defesa do seu modelo de desenvolvimento, o secretário-geral dá exemplos da sua via reformista. “As reformas que precisamos no mercado de trabalho não são as que nos permitem competir pela pobreza, mas sim as que nos permitem travar o êxodo migratório dos jovens, com emprego digno, que atraia, fixe e dê confiança no futuro às novas gerações”, enfatiza.