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Turistas desesperam para visitar Torre de Belém no pino do Verão

O monumento é o segundo mais visitado do país, mas no mês em que a procura bate recordes da ordem das 2500 pessoas por dia e o calor aperta não é fácil lá entrar. E muito menos circular

No ano em que a Torre de Belém comemora 500 anos, o monumento, apesar das melhorias introduzidas, continua a não oferecer as melhores condições a quem o visita. Entre longas filas de espera à torreira do sol, para entrar, e em todos os pisos, para subir, por vezes são necessárias horas para chegar ao topo. O multibanco está fora de serviço, há indicações luminosas que não funcionam e as visitas guiadas desapareceram.

Por toda a cidade de Lisboa ouvem-se múltiplas línguas estrangeiras. Há multidões de turistas que escolhem a cidade como destino de férias, principalmente no Verão. Com uma localização privilegiada em cima do Tejo, perto do Padrão dos Descobrimentos e do Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém é há muito um dos monumentos mais visitados da capital.

Eram 15h20 quando, um destes dias, o PÚBLICO pisou o passadiço de madeira de quase uma centena de metros que dá acesso à porta da torre. Nos longos trinta minutos de espera ao sol para chegar à bilheteira viam-se centenas de turistas em frente ao monumento a tirar fotos, a contemplar o rio, a ler guias turísticos da cidade de Lisboa. Pelo meio deles havia vendedores ambulantes a vender "selfies sticks" e óculos de sol.

Antes de entrar as advertências eram claras na zona da ponte levadiça: “Só são permitidas 150 pessoas na torre”; “Multibanco fora de serviço”; por motivos de segurança a circulação é “controlada por um sistema automático”.

Já na bilheteira, a funcionária informava, em resposta a uma pergunta, que “não existem visitas guiadas” e que o cartaz que as anuncia “está a mais”, ao mesmo tempo que o retirava da vitrina. A visitantes de língua inglesa respondia em português. “Estivemos meia hora na fila para entrar”, disse ao PÚBLICO uma turista no baluarte da fortaleza. Uma jovem que a acompanhava fazia outras contas “deve ter chegado quase a uma hora”.

No terraço do baluarte eram mais de 30 as pessoas que esperavam para subir, enquanto o seu número não parava de aumentar. Num grupo de jovens com um ar de quem está farto de esperar, uma das raparigas perguntava as horas a um amigo. “Não saímos do mesmo sítio há mais de quinze minutos”, comentava. Uma mulher agachava-se a um canto, de forma a resguardar-se do sol. A determinada altura, além dela, eram vários os visitantes que deixavam a fila para procurar a sombra.

Ao fim de vinte minutos na fila do terraço do baluarte, no piso de cima havia mais uma enchente, desta vez com mais mais de 50 pessoas à espera de subir para a “sala do governador”. Um funcionário da segurança controlava o acesso às escadas e um painel electrónico indicava o tempo de esperar para subir.

Mas nas escadas estreitas e íngremes, em forma de caracol, que dão acesso às salas seguintes e ao cimo do monumento havia gente a descer e gente subir ao mesmo tempo. Alguns faziam-no com dificuldades óbvias, por limitações próprias, pela dimensão e pela forma das escadas, ou apenas por ser gente a mais.

“Era frequente o conflito entre as pessoas que queriam subir e descer ao mesmo tempo esta escada em caracol, o que motivava muitas reclamações”, lê-se no site do da Direcção-geral do Património Cultural (DGPC). Na mesma página da internet explica-se que para minimizar esse problema foram colocados “pequenos painéis electrónicos em cada piso”, com o objectivo de informar “com setas a verde e vermelho, se o visitante pode subir ou descer, ou se tem de esperar para poder continuar o percurso de visita”. Os painéis electrónicos estão lá. Quando o PÚBLICO lá esteve na semana passada, porém, encontravam-se desligados.

Já no último piso, uma fila compacta dividia o terraço da torre a meio, tornando difícil a circulação no local. Um sinal luminoso, verde e vermelho, indicava se os visitantes deviam descer ou aguardar. Mesmo assim, muitos desciam as escadas com o sinal vermelho. “Mamã, mamã”, gritava uma criança, enquanto procurava a mãe no meio da multidão.

O PÚBLICO procurou esclarecer junto da DGPC, responsável pelo monumento, algumas das dificuldades encontradas por quem o quer visitar, mas ao fim de três dias não obteve resposta.

Entre os monumentos, museus e palácios de todo o país tutelados pela DGPC, a Torre de Belém é o segundo mais procurado pelos visitantes. No ano passado recebeu cerca de 531 mil pessoas, menos sete mil do que em 2013 e logo a seguir aos Jerónimos, que registou 808 mil visitas. O mês mais concorrido foi o de Agosto, com perto de 60 mil entradas, o que dá uma média próxima das 67 mil por mês (fecha às segundas-feiras), 2500 por dia e 300 por hora. Está aberto das 10h às 18h30 e os bilhetes para adultos custam seis euros, com descontos para várias categorias de visitantes.

O site do monumento contém alguma informação, mas apresenta diversas insuficiências. A “visita virtual” e o “Roteiro 3D”, que constam do menu, não estavam disponíveis neste sábado e a “galeria de audio” não tinha qualquer conteúdo. A “galeria de vídeos”, por seu lado, continha apenas um vídeo de apresentação.

Também a “agenda” está completamente em branco, não exibindo qualquer evento programado até ao fim do ano, apesar de estarem a ser comemorados os 500 anos da torre e de estar previsto para os dias 13 a 15 de Outubro a realização, no Centro Cultural de Belém, do congresso internacional “SPHERA MUNDI – Arte e Cultura no Tempo dos Descobrimentos”, que encerrará as comemorações do quinto centenário. Texto editado por José António Cerejo