Operadores antecipam "novos máximos" na época turística de 2015

Fernando Almeida comprou uma propriedade de 100 hectares com uma ruína de 1897 e aí içou os pilares do sonho. Antes de abrir o turismo de habitação desenvolveu o olival, a criação de porco preto e plantou uma horta biológica
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Fernando Almeida comprou uma propriedade de 100 hectares com uma ruína de 1897 e aí içou os pilares do sonho. Antes de abrir o turismo de habitação desenvolveu o olival, a criação de porco preto e plantou uma horta biológica DR

A época turística em Portugal deverá registar “novos máximos” em 2015, destacando-se a “qualificação gradual, mas segura” da actividade e a melhoria da posição competitiva do país no contexto internacional, segundo os dados disponíveis até Setembro.

“Temos uma noção já bastante aproximada do que irão ser as reservas da época alta e, nesta altura, sabemos que temos a generalidade das regiões do país com taxas de ocupação recorde e com receitas por quarto também recorde. Desse ponto de vista vai ser uma boa época alta e um bom Verão para o turismo português, o que indicia que estaremos, no final do ano, perante mais uma época turística que estabelecerá novos máximos”, informa João Cotrim de Figueiredo, presidente do Turismo de Portugal.

Segundo o responsável, apesar de só existirem dados oficiais até Junho, as indicações que vêm sendo recolhidas “de uma forma mais oficiosa” relativamente ao segundo semestre “continuam a ser positivas”, reforçando a estratégia do Turismo de Portugal de “ter um destino muito ágil e dinâmico, que vá aumentando a sua qualidade de uma forma gradual, mas segura”. “Acho que os dois objectivos estão a ser atingidos”, acrescenta.

Começando por apontar o crescimento “muito perto dos dois dígitos, de 8,5 a 9%, na generalidade dos indicadores” do turismo em Portugal, a que corresponde um crescimento acumulado de cerca de 30% nos últimos dois anos, Cotrim de Figueiredo destaca que, conforme pretendido, “os indicadores de qualidade estão a crescer mais fortemente do que os de quantidade”. “Portanto é de assinalar uma qualificação gradual, mas segura, do tipo de turismo que temos em Portugal, com os dados qualitativos (preço, receitas por quarto) a progredirem mais depressa do que os indicadores meramente numéricos, quantitativos (hóspedes e dormidas)”, sustenta.

Adicionalmente, o presidente do Turismo de Portugal destaca os ganhos competitivos que o país tem vindo a obter, ao crescer “mais depressa” do que vários dos destinos internacionais alternativos, nomeadamente Espanha. “Estamos a crescer ao dobro do ritmo de Espanha no que diz respeito aos elementos quantitativos e a crescer muito mais nos elementos qualitativos, com progressões que chegam a atingir quatro a cinco vezes aquilo que se passa no país vizinho”, destaca.

Também apontada é a “taxa de progressão muito acentuada” registada pela Alemanha, França e Itália, que são “mercados com um enorme potencial e que não tinham tido ainda um aumento de quota de mercado portuguesa tão expressivo como agora”.

Como resultado desta evolução, o Turismo de Portugal antecipa também para 2015 “novos máximos a nível das receitas capturadas pela actividade” e, designadamente, a nível do saldo da balança turística.

É que, referiu o presidente daquela entidade, a diferença entre as receitas deixadas pelos estrangeiro que vêm a Portugal e os gastos dos portugueses que vão ao estrangeiro, que até Junho estava a crescer “perto de 17%”, “se mantiver este ritmo permitirá ultrapassar a barreira dos oito mil milhões de euros de saldo da balança turística nacional do ano”.

Um número que descreve como “absolutamente impressionante” e que, destaca, representa “o contributo do turismo para a economia e para a balança de pagamentos portuguesa”.

Também o presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Luís Veiga, confirmou a manutenção nos meses de Verão da tendência de crescimento já registada no primeiro semestre de 2015.

Citando dados de inquéritos realizados pela associação junto dos hoteleiros, Luís Veiga diz estarem previstos para este Verão melhores taxas de ocupação e rendimento por quarto disponível (RevPar), com 58% dos inquiridos a preverem uma ocupação acima dos 80% e a apontarem como principais mercados emissores Portugal (18%), Espanha (17%) e França (14%).

“No Algarve, 75% dos hoteleiros têm mais de 50% das reservas confirmadas até 11 de Outubro”, enquanto no Porto metade dos hotéis têm mais de 50% de reservas confirmadas até ao final de Setembro e, em Lisboa, de 1 a 13 de Agosto, 75% dos hotéis tiveram mais de 50% das reservas confirmadas e até ao final de Setembro metade dos hotéis estão com mais de 50% das reservas confirmadas”, adianta.

Contudo, o presidente da AHP nota que estas evoluções “vão tão só recolocar os dados de 2007/2008 relativos à taxa de ocupação e RevPar”, sendo que “os dados médios das regiões turísticas do Norte, Centro, Alentejo, Açores e Madeira não são ainda satisfatórios face ao RevPar previsto”.