Shell vai despedir 7% dos trabalhadores depois de forte queda nos lucros

Petrolífera vai reduzir 6500 postos de trabalho para poupar nos custos.

A Shell prepara há seis anos a exploração petrolífera no Árctico
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Shell já anunciou que vai despedir 6500 funcionários Toby Melville/Reuters

Face a resultados abaixo do esperado, provocados pela baixa dos preços do petróleo, as empresas petrolíferas estão a recorrer à redução de pessoal para enfrentar a crise.

Esta quinta-feira foi a vez da Royal Dutch Shell, que anunciou esta quinta-feira o despedimento de 6500 trabalhadores (6,9% do total da força de trabalho), no âmbito de um plano para reduzir os custos operacionais em quatro mil milhões de dólares (3,6 mil milhões de euros).

A petrolífera calcula que a baixa do preço do petróleo (actualmente negociado na casa dos 50 dólares por barril) possa manter-se por vários anos. Neste contexto, Royal Dutch Shell apresentou um plano que “reflecte a realidade do mercado”.

Ou seja, redução de investimento e de postos de trabalho, apesar de estimar que, a médio prazo, a o preço do petróleo possa regressar a valores entre os 70 e 90 dólares (64 e 82 euros) por barril.

A Shell anunciou a queda dos resultados do segundo trimestre de 2015 para 3,47 mil milhões de euros, quando tinha lucrado cerca de 6,1 mil milhões no ano anterior, caindo assim 43%. No mesmo dia, a empresa informou os accionistas e investidores que vai implementar um plano de redução de custos.

Para além dos cortes no pessoal, a Shell planeia reduzir o capital de investimento em 20% quando comparado com 2014, o que significa um recuo de 6,4 mil milhões de euros para 27,5 mil milhões. Esta quebra resulta de “reduções de custo, cancelamento de projectos” e do reequacionamento das “opções de crescimento”.

No plano que tem como objectivo reduzir os custos operacionais em 10% ainda em 2015, a Shell informa também que planeia diminuir ainda mais os custos em 2016, não tendo revelado uma meta nem as medidas para a atingir. Citado pelo Financial Times, o director executivo, Ben van Beurden, disse que o corte nos postos de trabalho inclui já as reduções previamente anunciadas nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Noruega e Nigéria.

A previsão de venda de activos mantém-se nos 18,3 mil milhões de euros para o período combinado entre 2014 e 2015, “apesar das fracas condições de mercado”. No pacote, está incluída a venda por 1,28 mil milhões de euros da participação na Showa Shell à Idemitsu, a maior empresa de refinação japonesa.

No mesmo comunicado em que participava aos investidores e accionistas o abrandamento do investimento, a Shell informou que o negócio de compra do BG Group está “encaminhado”. O acordo para a compra da BG foi alcançado em Abril, naquele que é considerado o maior negócio do sector petrolífero desde 1998. Com a aquisição, no valor de 64 mil milhões de euros, estima-se que a Royal Dutch Shell alcance um valor de mercado superior ao das rivais BP e Chevron.

O Wall Street Journal dá conta que, apesar de já ter recebido a aprovação dos reguladores norte-americanos, brasileiros e sul coreanos, para ser concluído, o negócio precisa ainda do aval das autoridades chinesas, australianas e da União Europeia.

O anúncio de despedimentos da gigante anglo-holandesa surge numa conjuntura particular para as empresas ligadas ao ramo do petróleo, desde que o barril iniciou a trajectória descendente, em Junho de 2014. O excesso de oferta no mercado internacional tem vindo a arrastar o brent (que serve de referência ao marcado nacional) para mínimos de mais de cinco anos. 

Assim, a Shell segue os passos de outros grupos que já anunciaram despedimentos como forma conter os custos. A Centrica, que detém a maior companhia de distribuição de energia doméstica do Reino Unido (a British Gas) anunciou no mesmo dia que vai dispensar 6000 trabalhadores. O corte é para ser levado a cabo até 2020, apesar de a British Gas ter duplicado os lucros em relação ao ano anterior.

Medida semelhante tomou a norte-americana Chevron, que anunciou na quarta-feira o despedimento de 1500 trabalhadores.

Também a Saipem, detida pela Eni, optou por eliminar postos de trabalho depois de os resultados aquém do esperado apresentados no início da semana. Nos próximos dois anos, a companhia italiana planeia poupar 1,3 mil milhões de euros num programa que envolve o despedimento de 8800 funcionários.