Portugueses participam em projecto de robô para ajudar na gestão das vinhas

O objectivo é conseguir trazer para o mercado um novo produto de viticultura de precisão".

Apesar do arranque de 175.000 hectares de vinha a produção manteve-se excedente
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Apesar do arranque de 175.000 hectares de vinha a produção manteve-se excedente Foto: Pedro Cunha

Um robô desenvolvido por uma equipa que inclui portugueses vai recolher informações no terreno para ajudar os produtores de vinho a tomarem as melhores decisões sobre a gestão dos vinhedos, disse neste domingo um responsável pelo projecto.

Carlos Lopes, professor do Instituto Superior de Agronomia (ISA) e responsável pelo projecto de investigação nesta entidade, avançou à agência Lusa que em meados de Julho o protótipo terá as câmaras de recolha de imagens montadas, pela primeira vez, e que o robô "vai circular na vinha de forma autónoma", com todos os elementos desenhados pela equipa.

O projecto, que decorre até 2016, reúne parceiros de Espanha, Roménia, Hungria e Itália, além de Portugal, e pretende criar um robô "vinhateiro" para optimizar a gestão no terreno e contribuir para a obtenção de vinho de qualidade, de uma forma eficiente.

Ao longo dos três anos do projecto, os especialistas desenvolvem uma ferramenta inovadora no âmbito da viticultura de precisão, "um robô que fará um passeio pelas vinhas no sentido de obter uma estimativa do desenvolvimento vegetativo e da produção", explicou Carlos Lopes.

O robô recolhe dados, imagens das vinhas e a ideia é que, com base nessa informação, construa mapas de "distribuição do vigor e da produção da vinha" para que o viticultor possa definir as estratégias mais adequadas nas várias fases, da cultura à programação da vindima e, depois, na adega.

É obtido um mapa que permite gerir as técnicas culturais e os recursos, como máquinas e mão-de-obra, de acordo com o desenvolvimento da vinha e, por exemplo, nas zonas de menor vigor o viticultor terá de adicionar mais adubo e água, terá de fazer menos operações de intervenção.

"As zonas de maior produção normalmente estão relacionadas com menos qualidade e pode-se definir a chamada segmentação da vindima, isto é, separar zonas de mais qualidade das de menor qualidade, fazer vinhos separados e ter mais valias", exemplificou o professor do ISA.

Para as associações de produtores, a disponibilização online de mapas de rendimento permite melhorar e tornar mais eficiente o controlo da produção dos seus membros e coordenar o rendimento de acordo com os objectivos comerciais.

O "trabalho" do robô não evita as visitas do técnico de viticultura no vinhedo, mas permite substituir as amostragens manuais por amostragens detalhadas e digitalizadas reunidas no mapa, que pode ser consultado no computador, permitindo "uma análise mais robusta".

"Neste momento, fizemos o primeiro ano de validação, colhemos dados no campo, imagens com as câmaras", referiu Carlos Lopes, acrescentando que está marcada para 16 de Julho uma sessão de apresentação do protótipo do robô, que vai circular nas vinhas do ISA.

No final do projecto, de acordo com os resultados, vai decidir-se se "entra logo em produção ou se tem de levar mais melhoramentos, mas o objectivo é conseguir trazer para o mercado um novo produto de viticultura de precisão", resumiu o especialista.