Machete no Brasil com cimeira na agenda

A diplomacia brasileira está presente em vários fóruns internacionais que são do interesse de Portugal.

"O pedido de desculpas de Rui Machete" é o título do artigo de hoje
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Rui Machete Miguel Manso

A marcação da XII cimeira luso-brasileira é um dos temas da agenda do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, na visita de três dias que iniciou esta segunda-feira ao Brasil. No âmbito da primeira visita do chefe da diplomacia portuguesa àquele país, Machete avista-se com o vice-presidente brasileiro, Michel Temer, e com associações empresariais em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Na XI cimeira entre os dois países, a 10 de Junho de 2013, em Lisboa, a Presidente Dilma Rousseff, que liderava a delegação brasileira, desdobrou-se em inúmeros contactos. Ficou então decidido que a XII cimeira decorreria, no Brasil, no ano seguinte, 2014. Mas tal não aconteceu.

Recentemente, aquando de uma visita à Europa que o trouxe a Portugal, o vice presidente de Dilma, Michel Temer, confirmou ao vice-presidente do Governo português, Paulo Portas, a realização, ainda este ano, de tal encontro. Na jornada desta segunda-feira em Brasília, nomeadamente na reunião com o seu homólogo Mauro Vieira, Rui Machete abordará novamente a questão do calendário.

Tudo indica que o executivo de Pedro Passos Coelho é sensível à realização da cimeira antes das eleições legislativas que, de acordo com todas as previsões, devem ser marcadas pelo Presidente da República para o início de Outubro. Para além da data, na reunião desta tarde de Machete com Vieira serão definidos os temas.  

Nesta visita, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal manterá encontros com empresários portugueses radicados ou a trabalhar no Brasil, bem como responsáveis brasileiros da indústria com interesses em Portugal. Estas duas reuniões têm como palco associações empresariais no Rio de Janeiro e São Paulo.

Na terça-feira, no Rio de Janeiro, Machete preside às comemorações do dia da língua e da cultura portuguesas no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa [CPLP]. As relações no contexto da CPLP é tema político obrigatório desta visita. Neste campo, é abordada a situação e estabilidade políticas, económica e social na Guiné-Bissau. Tal como as relações entre a União Europeia, de que Portugal é membro, e os países do Mercosul, o grupo que integra a Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

A pertença do Brasil a outras organizações internacionais, como o G20 e os BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -, e o protagonismo crescente dos brasileiros na cena internacional favorece uma troca de impressões sobre os grandes assuntos da actualidade. Da crise da Ucrânia aos desafios no Médio Oriente, passando pelo combate às actividades terroristas do autoproclamado Estado Islâmico.

Por fim, do ponto de vista da cooperação bilateral, e à margem dos tradicionais dossiês relativos às cooperações económica, científica e tecnológica, outra questão interessa às autoridades de Lisboa. A sinalização de uma nova comunidade portuguesa residente no Brasil, constituída por quadros altamente preparados, a trabalhar em sectores de ponta – como o petróleo – e em multinacionais. Uma diferença abismal face à composição tradicional da emigração portuguesa do sédculo passado.