Editorial

Gente nervosa no ar

A extensa greve dos pilotos da TAP, marcada para o início de Maio, tem abalado profundamente as relações entre os vários sectores laborais da companhia. Se o clima interno já não era bom, nesta segunda-feira, Miguel Silveira, presidente da Associação dos Pilotos Portugueses, agravou a situação. Para justificar o pedido ao Governo de terminar com a obrigação de manter duas pessoas no cockpit, decretada na sequência do acidente nos Alpes franceses, Silveira invocou a falta de preparação do pessoal de cabine e o facto de muitos terem tentado ser pilotos. “A frustração na profissão pode ser, em termos psicológicos, uma das maiores razões que pode levar a uma tentativa de suicídio, a uma desgraça”, disse. A afirmação, desastrada, esquece que os acidentes aéreos por suicídio foram da responsabilidade de pilotos e deixa muitas preocupações sobre a segurança dos voos na TAP. A continuar assim, só falta as agressões verbais entre o pessoal terminarem em cenas de pugilato. No ar.

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