Opinião

Directores de escola: professores ou boys?

O diretor é pau para toda a colher dada a multiplicidade de situações que abarca e a enorme complexidade de funções que exerce.

Corremos a passos largos para o final de mais um ano letivo. Querendo-se perspetivar o próximo, pois a programação em Educação é muito importante, espera-se que os governantes colaborem.

Os diretores, professores em comissão de serviço, são o rosto da escola, as figuras proeminentes das instituições educativas que merecem a devida estima por parte da tutela, o que nem sempre acontece. Estando muitas vezes entre o Ministério da Educação e Ciência (MEC) e os professores (representados pelos sindicatos), os diretores das escolas têm agido em prol do sucesso dos alunos, tentando conciliar interesses, muitas vezes antagónicos.

É reconhecido que passam muito tempo na escola (cada vez mais com serviço burocrático, preenchimento de plataformas, resolução de diversos problemas, atendimento aos diferentes atores educativos...), sendo presenteados com uma hipócrita isenção de horário e um absurdo regime de exclusividade (ainda há poucos dias os partidos da maioria e o principal da oposição chumbaram deputados em exclusividade... porque será?) que não os deixa exercer qualquer outra função, remunerada ou não.

“Nunca seria diretor ou integraria uma direção executiva” ou “faço tudo, menos estar na direção” são expressões que escutamos recorrentemente por parte de professores e, estou certo, por parte dos nossos governantes, sabendo que o diretor é pau para toda a colher dada a multiplicidade de situações que abarca e a enorme complexidade de funções que exerce.

Gerem orçamentos de muitos milhares de euros, sobretudo no que se refere aos vencimentos, desempenham uma função que a própria tutela não prestigia (ainda há pouco tempo o MEC não indicou a lei que prevê o pagamento do suplemento remuneratório dos diretores, tendo estes achado que foi uma desconsideração para com eles e para o cargo), carecem de apoio efetivo (formação, apoio jurídico...) e de reconhecimento de quem os dirige.

Valem-se da sua preparação (habilitações, cursos de qualificação, formações complementares...), da experiência, de serem professores (das principais mais valias para o exercício do cargo)... A dedicação destes professores faz com que se “afirmem boas lideranças e lideranças eficazes”, à custa do excelente desempenho que emprestam às escolas onde exercem as respetivas funções. Ninguém é imprescindível, mas os diretores de escola são fundamentais numa instituição educativa.

O órgão que elege o diretor (conselho geral) é forte qualitativamente, representativo da comunidade educativa (professores, funcionários, pais e encarregados de educação, autarquia, entidades/forças vivas locais...), contudo fraco quantitativamente (máximo de 21 elementos), havendo quem considere que a democracia deveria ser mais alargada.

Seja como for, é preferível esta democracia diminuída na eleição do diretor, do que a nomeação para o cargo por parte dos governantes (jobs for the boys?), o que faria desaparecer o valor que abril nos trouxe e que, em diversas situações, tem sido desprezado e até esquecido, em prol de outros interesses... De lamentar que os sindicatos estejam adormecidos e distraídos com pequenos fait divers, podendo ser apanhados desprevenidos com novas ideias gestionárias e gerencialistas na Educação, reagindo com o instrumento comum (greve) que só prejudicará os alunos e a escola pública.

Acredito que o caminho não será este! Não faz sentido na Educação uma gestão como a dos hospitais, por exemplo. Ou queremos, também, a empresarialização das escolas? Outros valores se levantam quando tratamos de crianças, alunos, formandos...

Nas escolas, não se gerem pessoas, lideram-se alunos, professores e funcionários de quem os diretores sabem o nome; nas escolas não se pretende o lucro, mas antes o sucesso dos alunos; nas escolas promove-se a equidade, a integração, a igualdade, que são valores nobres.

O MEC só tem razões para acreditar nos seus diretores! Estes pretendem uma liderança (e gestão) orientada para a autonomia e responsabilização, que tarda em chegar.

Professor, director de escola