Passos antevê Portugal como uma das nações mais competitivas do mundo

Japoneses confirmaram a sua presença na “semana azul” de Junho próximo dedicada à economia dos oceanos.

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O primeiro-ministro anteviu Portugal como uma das nações mais competitivas do mundo. A declaração de Pedro Passos Coelho foi feita esta sexta-feira em Tóquio a uma plateia de dezenas de empresários durante o segundo dia da sua visita ao Japão.

“Creio que há excelentes razões para as empresas japonesas continuarem a investir em Portugal, o actual processo de privatizações oferece uma série de oportunidades de investimento que as empresas japonesas poderão considerar, nomeadamente na área de transportes”, disse Passos Coelho perante empresários nipónicos membros da associação Keidanren.

“Portugal, como mostrou nos últimos anos tem uma resiliência política e social muito grande”, sublinhou. “Tudo isto apontará para que Portugal possa ser realmente uma das nações mais competitivas do mundo, com grande dinamismo, grande abertura à inovação e com grande potencial de crescimento económico”, disse.

Em abono da sua tese, Passos invocou dados económicos: do decréscimo dos juros da dívida pública à amortização antecipada de 14 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional, dos quais 6,6 mil milhões já foram pagos, passando pelo aumento das exportações. Contudo, o primeiro-ministro considerou os níveis de desemprego como excessivamente altos.

“A minha convicção é de que saberemos manter nos anos mais próximos essa grande resiliência, com uma grande previsibilidade política, económica e social”, afirmou. A plateia da Keidanren, associação que engloba 1281 empresas, ouviu Pedro Passos Coelho fazer o balanço da sua gestão do ano passado. “Em 2014 já foi possível começar a ver os resultados positivos das reformas”, destacou. Reformas difíceis, admitiu. “Exigiram do povo português elevados sacrifícios que os portugueses suportaram sem pôr em causa a paz social”, congratulou-se.

Perante representantes de multinacionais como a Mitsubishi, Toshiba, Murabeni, Sako, BPN Paribas Japan, Nomura ou Toyota, Passos Coelho falou de oportunidades de investimento em Portugal. Para além dos transportes, referiu-se ao sector agro-alimentar e a possíveis novos investimentos na região do Alqueva. “Uma área de produção frutícola muito boa e que tem hoje condições de irrigação incomparáveis”, caracterizou.

A “economia azul” foi também apontada. “A desejada extensão dos limites da plataforma continental abrirá perspectivas de investimento nos recursos de fundo marinho, nomeadamente na exploração de minério”, enunciou. Ontem, as autoridades nipónicas confirmaram a participação do seu país na “semana azul” dedicada à economia dos oceanos, que o Governo português organizará em Junho próximo.

“Há muitas empresas japonesas que têm um conhecimento muito avançado sobre o mar, que não deixaremos de cruzar com o conhecimento que vai sendo adquirido em Portugal, que nos permitirão fazer uma gestão mais ambiciosa dos recursos marinhos”, disse Passos. A exploração de concessões portuárias, de terminais de contentores, foi outra das oportunidades de potencial mencionada pelo primeiro-ministro.   

Em Tóquio, Portugal e o Japão anunciaram a colaboração na área da segurança marítima e do combate à pirataria. “É muito significativo concordarmos em fomentar a cooperação entre os dois países, ambos com uma história comum como nações com vocação marítima”, realçou o primeiro-ministro Shinzo Abe. Embora não tenham sido revelados mais detalhes, os japoneses vão participar num exercício conjunto com o estatuto de observador.

A visita de Passos Coelho, a primeira de um primeiro-ministro português nos últimos 25 anos depois da estadia em Tóquio de Cavaco Silva em 1990, e que retribui a digressão de Maio do ano passado do chefe do Governo de Tóquio, conclui este sábado com um encontro com a comunidade portuguesa.

Em finais do ano passado, a secção consular da embaixada de Portugal no Japão tinha registado 365 inscrições. A comunidade lusa é constituída por emigrantes jovens e com elevado nível de instrução, de macaenses com nacionalidade portuguesa e de cidadãos brasileiros com dupla nacionalidade. Dos inscritos, a maioria são trabalhadores assalariados, seguidos de estudantes, professores e empresários. Há ainda portugueses a trabalhar nas áreas das engenharias, arquitectura, medicina e investigação. com Lusa