Humorista Dieudonné detido por "defesa do terrorismo"

Polémico como sempre, Dieudonné disse no Facebook sentir-se "Charlie Coulibaly". Justiça francesa abriu cerca de 50 casos do género nos últimos dias.

Dieudonné não é estranho a polémicas
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Dieudonné não é estranho a polémicas PATRICK KOVARIK/AFP

Esta quarta-feira o humorista francês Dieudonné M’bala M’bala foi detido sob a acusação de "defesa do terrorismo", revelou à AFP uma fonte judiciária próxima do caso. Na segunda-feira, tinha sido movido um processo contra o polémico humorista por se ter declarado "Charlie Coulibaly", associando os nomes do jornal atacado e do autor do atentado à mercearia judaica em Paris.

Foi no Facebook que o humorista publicou no domingo, após a marcha antiterrorismo em Paris, uma mensagem que acabou por apagar. “Saibam que esta noite sinto-me Charlie Coulibaly”, escreveu Dieudonné, despertando várias respostas de condenação.

Sobre o caso o primeiro-ministro, Manuel Valls, disse que “é preciso não confundir a liberdade de opinião e o anti-semitismo, o racismo e o negacionismo”.

Dieudonné é conhecido pelas suas declarações controversas de índole anti-semita e pelas quais já foi condenado. Em 2013, o humorista popularizou a quenelle – um gesto que lembra uma saudação nazi invertida – difundido milhares de vezes nas redes sociais. Ao longo da sua carreira, vários espectáculos em que participava foram cancelados.

Uma das primeiras polémicas em que se envolveu, em 2003, foi quando apareceu num espectáculo com adereços de judeu ultra-ortodoxo e um blusão militar num monólogo que acabava com a saudação nazi. Jean-Marie Le Pen – fundador do partido de extrema-direita Frente Nacional e que também chegou a tecer comentários anti-semitas – é padrinho de um dos filhos do humorista.

Mas se Dieudonné é um nome conhecido no que toca a controvérsias, o momento actual em França está a ser propício às declarações polémicas em torno dos atentados da semana passada. Mais de 50 casos qualificados como "defesa do terrorismo" foram abertos nos últimos dias, de acordo com o Le Monde, que cita dados do Ministério da Justiça.

Já houve cinco condenações, com penas em média de um ano de prisão. O caso mais grave envolveu um homem que foi condenado a quatro anos de prisão efectiva por, na sequência de um acidente de viação, se ter recusado a fazer o teste de alcoolemia. As declarações do indivíduo acabaram por constituir uma agravante, diz o Le Monde.

Dois outros casos de condenações envolveram comentários feitos em plena rua não dirigidos a ninguém em particular.