Mesquita de Lisboa vandalizada

Durante a madrugada foi pintado o número "1143" na porta e numa parede da mesquita. Caso estará relacionado com o atentado de Paris.

A parede vandalizada
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A parede vandalizada Daniel Rocha

“1143”. O número, que coincide com o ano da independência de Portugal, foi nesta sexta-feira pintado na porta principal e numa parede lateral da Mesquita Central de Lisboa, um acto de vandalismo que o xeque David Munir vê como uma “provocação”.

“Não nos sentimos ameaçados, mas ficamos tristes porque a mesquita é um local aberto a todos”, disse ao PÚBLICO o imã da Mesquita de Lisboa, que acredita que este acto está relacionado com o atentado ao jornal Charlie Hebdo, em Paris. O ataque que matou 12 pessoas e deixou quatro feridas com gravidade “nada tem a ver com o Islão”, sublinhou. “Se algo incomoda, há várias formas de manifestar esse incómodo, não é atacando.”

Esta é a primeira vez que a Mesquita Central de Lisboa é alvo de actos de vandalismo. O xeque Munir acredita que os autores terão actuado de madrugada, antes das 7h. “Quando as pessoas vieram fazer a primeira oração da manhã, às 7h, não repararam, mas acredito que foi feito antes dessa hora”, afirmou, acrescentando que a tinta na porta já foi limpa.

"As autoridades disseram que o número 1143 é utilizado por grupos neonazis e xenófobos", disse o xeque. A data, 1143, evoca a assinatura do Tratado de Zamora, a 5 de Outubro, entre D. Afonso Henriques e o seu primo D. Afonso VII de Leão e Castela, considerada a data da independência de Portugal .

Foi a PSP quem deu o alerta, tendo registado o incidente. “A polícia prontificou-se a ajudar, caso haja algum problema, por isso sinto-me seguro”, disse o imã. Fonte do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP disse ao PÚBLICO que “não está a decorrer nenhuma investigação sobre o caso”.

Outros locais de culto muçulmano têm sido alvo de actos criminosos em França, desde quarta-feira, dia em que ocorreu o atentado na redacção do jornal satírico Charlie Hebdo. Num bairro de Mans, no Oeste de França, foram lançadas três granadas de exercício e foi feito pelo menos um disparo contra uma mesquita. Em Port-La-Nouvelle, no Sul, foram disparados vários tiros contra uma sala de oração muçulmana, cerca de uma hora depois do fim da oração da noite.