António Costa elogia experiência governativa de Soares com o PSD

Novo líder socialista pega no exemplo do Bloco Central como forma capaz de vencer a crise dos anos 80.

António Costa diz que é preciso unir a esquerda para derrotar a direita
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A camanha de António Costa promete ideias fora da caixa Daniel Rocha

“Ano novo, vida nova e vamos ter em 2015, vida nova.” O discurso do secretário-geral do PS, António Costa, no jantar de Natal do seu grupo parlamentar arrancou com a necessidade de “confiança” de “que todos temos sido privados”.

Mas o exemplo a que o autarca de Lisboa recorreu para destacar essa necessidade chegou ao Parlamento carregado de significado político. Costa foi buscar o governo do Bloco Central, liderado por Mário Soares e que tivera a participação do PSD, para marcar o ponto. “Se nos lembrarmos agora do que foi o Bloco Central”, começou por dizer, “tudo teria sido impossível sem a grande capacidade de mobilização, sem a capacidade política mobilizadora do colectivo nacional que Mário Soares assegurou e nos permitiu sair da crise”.<_o3a_p>

António Costa já por mais de uma vez se referiu à questão das coligações governamentais desde que foi eleito líder dos socialistas. O Congresso do PS, que o entronizou como sucessor de António José Seguro, foi palco de um discurso bem mais duro em relação à possibilidade de vir a realizar-se um entendimento com os partidos da direita. No entanto, há uma semana, após uma reunião com o primeiro-ministro, Costa preferiu destacar que os “entendimentos” se fariam depois das próximas eleições legislativas.<_o3a_p>

Por mais de uma vez, o socialista falou no “sentido de país colectivo” e na superaração de obstáculos. Dando, assim, a entender como encarava essa capacidade de união que representava esse governo de Bloco Central num momento de dificuldade para o país.<_o3a_p>

Nesta última intervenção, o líder socialista destacou o papel da confiança na recuperação do país. Acusou o actual Governo de ter tirado isso mesmo ao país com estes últimos anos de governação, destacando as dificuldades sentidas pelos jovens, pelos investidores, pelos agentes da ciência e da cultura e de “quem já vive das suas pensões”. <_o3a_p>

Foi depois da sua referência ao Bloco Central, que Costa afirmou que 2015 era “um bom ano para o país pensar no seu futuro”. Por se assinalarem os 600 anos da conquista de Ceuta e também os 40 anos da descolonização, assinalou o fim do período da expansão: “Desta vez, a expansão tem de ser dentro de nós próprios, para descobrirmos as Índias que temos por descobrir dentro de nós próprios.”

<_o3a_p>Já nesta terça-feira, o secretário-geral do PS enviou uma nota ao PÚBLICO em que tentava esclarecer as suas declarações da véspera. "Ontem, num jantar com o grupo parlamentar do PS, evoquei o exemplo de Mário Soares que, como primeiro-ministro, foi capaz de mobilizar o país para vencer a crise que atravessávamos nos anos 1980. Não 'recuperei' a fórmula política do Bloco Central, muito menos a pensar em 2015", escreveu.

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