Sindicatos e Governo ainda sem solução para travar greve na TAP

Plataforma sindical esteve reunida nesta segunda-feira durante largas horas. Encontro terminou com envio de proposta ao executivo.

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Sindicatos convocaram greve de quatro dias a 27, 28, 29 e 30 de Dezembro Raquel Esperança

Os sindicatos e o Governo continuam sem uma solução para travar a greve de quatro dias na TAP, entre o Natal e o Ano Novo. Após uma reunião de largas horas nesta segunda-feira, a plataforma sindical que representa os trabalhadores remeteu uma proposta ao Governo com o objectivo de suspender a privatização, e os protestos.

Num comunicado enviado às redacções, os sindicatos referem que, “na sequência da proposta do Governo para a criação de um grupo de trabalho, a plataforma de sindicatos apresentou ao Governo um memorando visando a suspensão do processo de reprivatização e da greve convocada para os dias 27 a 30 de Dezembro do corrente ano”.

A posição dos sindicatos surge depois de terem sido recebidos, na passada sexta-feira, pelo ministro da Economia e pelo secretário de Estados dos Transportes. Nessa reunião, o Governo propôs que fosse criado um grupo de trabalho para envolver os trabalhadores no processo de privatização, que foi relançado em meados de Novembro.

À saída do encontro, Pires de Lima afirmou que esperava "uma resposta por parte da plataforma sindical da TAP quanto à proposta" na segunda-feira. Estas declarações levaram a crer que a proposta do executivo seria suficiente para os sindicatos decidirem se mantinham ou cancelavam a greve. No entanto, o comunicado enviado pela plataforma mostra que ainda haverá mais negociações.

Não se sabe ainda, porém, quais as reivindicações inscritas no memorando enviado ao Governo. Uma das exigências dos sindicatos passava pela manutenção, durante alguns anos, dos acordos de empresa, apesar de a companhia estar prestes a mudar de dono. 

Mas o que o comunicado deixa transparecer ainda é que os sindicatos continuam focados na suspensão da privatização do grupo, que prevê, numa primeira fase, a alienação de 66% do capital. No entanto, a intenção é que o Estado saia totalmente da empresa a médio prazo, com a alienação dos restantes 34% no período de dois anos após a assinatura do contrato de venda. 

A greve foi marcada para 27, 28, 29 e 30 de Dezembro, um período de pico na operação na TAP, já que tinha cerca de 120 mil reservas efectuadas para estas datas. A companhia estima que cada dia de greve nesta altura significa um prejuízo de oito milhões de euros.