Duas maneiras de cantar e uma dieta inteira

O cante alentejano deverá agora juntar-se ao fado e à dieta mediterrânica.

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Enric Vives-Rubio

Se a candidatura do cante for aprovada, Portugal passará a contar com três bens imateriais na lista do património mundial da UNESCO, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. A primeira vez que o país passou a figurar neste clube exclusivo da herança intangível da humanidade foi em 2011 com o fado, seguindo-se a dieta mediterrânica, no ano passado, proposta partilhada com Espanha, Marrocos, Itália, Grécia, Chipre e Croácia.

As classificações do fado e da dieta mediterrânica foram feitas em poucos minutos, a primeira em Bali, na Indonésia, e a segunda em Baku, no Azerbaijão. Diz quem preparou os dossiers que as candidaturas eram sólidas e que, no caso da canção de Lisboa, foi o plano de salvaguarda – garantia de que Portugal ia continuar a trabalhar na preservação e promoção do fado através de uma série de acções concretas – a peça decisiva.

Há três anos, António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, uma das entidades envolvidas no projecto de candidatura desde 2005, festejou a classificação pondo os delegados em Bali a ouvir Amália num fado de Alfredo Marceneiro, Estranha forma de vida, que acabou num estrondoso aplauso. Em Dezembro último, a comitiva portuguesa também não enfrentou qualquer oposição e chegou mesmo a ouvir o presidente da mesa dizer que não havia votos contra porque não há quem não goste da comida que se faz no Mediterrâneo.

Resta agora saber o que dirá o comité da UNESCO sobre esta forma tão particular de cantar ligada às minas, campos e tabernas do Alentejo.

Portugal tem ainda outros 15 bens património mundial: 14 na categoria Cultural - o Convento de Cristo, em Tomar, as gravuras rupestres do Vale do Côa ou o centro histórico do Porto – e um Natural, a floresta Laurissilva, na Ilha da Madeira.