Área Metropolitana do Porto desenvolveu a mais completa app de mobilidade na região

No telemóvel ou no computador, é possível fazer roteiros com dados da oferta de 75% dos operadores de transporte público.

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Aplicação agrega a informação da STCP e da Metro do Porto em tempo real, para a hora seguinte à consulta Paulo Pimenta

Habitantes ou turistas podem agora decidir melhor as deslocações no interior da área Metropolitana. Segundo Avelino Oliveira, da AMP, a app de mobilidade contém 75 por cento da oferta existente, permitindo, em média, dar duas ou três opções para cada par origem-destino. Sempre em transporte público ou a pé. Táxis e outros modos suaves (como a bicicleta), ainda não têm lugar nesta aplicação que, desta forma, para deslocações fora das zonas mais densamente habitadas (as melhor servidas de transporte), não gera sequer propostas, caso se estabeleça um intervalo temporal demasiado curto para os modos utilizados.

Mas se não nos serve para que um turista possa ver como se pode chegar do centro do Porto à Igreja Românica de São Pedro de Rates (no interior do concelho da Póvoa de Varzim), em duas ou até em três horas – coisa que de metro e de táxi se faz em 1h30, no máximo, mesmo a meio da tarde – esta nova ferramenta não deixa de ser um marco, pelo facto de pela primeira vez agregar dados fornecidos pela grande maioria dos operadores da região, juntando-os aos da Metro e da STCP. Estes últimos permitem fazer cálculos em tempo real, para os 60 minutos seguintes à consulta, enquanto os restantes são, nesta fase, apenas tabelas horárias fornecidas pelas empresas. Ou seja, a app é também um desafio para o próprio sistema de transportes, porque ao mesmo tempo que passa a ter informação sobre toda a rede, o cliente fica também a conhecer as suas debilidades (atrasos, supressões, ausência de opções, etc.).

Como referiu o presidente do Conselho Metropolitano, Hermínio Loureiro, este é um daqueles projectos em desenvolvimento contínuo. Se o quadro regulatório avançar como se espera, e se a Autoridade Metropolitana de Transportes, que colaborou nesta iniciativa, passar a deter os poderes e os meios que nunca lhe foram dados até aqui, vai ser possível, dentro de alguns anos, fazer com todos os operadores um controlo, em tempo real, do serviço efectivamente prestado, gerando dados sobre horários e frequências em tempo real também, que tornarão esta e outras aplicações mais completas e, seguramente, mais fiáveis.

Na Área Metropolitana do Porto, 62% das deslocações pendulares casa-trabalho são feitas de carro, segundo dados do Censos 2011. Dez anos antes, essa percentagem era de 46 por cento. Lembrou-o a geógrafa Teresa Sá Marques, coordenadora do Plano Estratégico para a Região, no horizonte de 2020 e convidada para a apresentação da nova ferramenta de mobilidade, que decorreu esta segunda-feira no Coliseu do Porto.

O transporte público, e o incremento dos modos suaves de circulação, terão expressão no próximo quadro comunitário como política de mobilidade mas também de combate à dependência energética e às emissões de carbono. Mas a melhoria da rede é um desafio grande, numa região em que existem vários núcleos populacionais dispersos, e em que o seu centro, o Porto, não é o único ponto de destino das deslocações casa-trabalho.  Além disso, como lembrou Teresa Marques, a região continua à espera de um inquérito à mobilidade que faça um retrato das múltiplas deslocações (para trabalhar, para ir às compras, para buscar filhos ás escolas e para lazer, etc) que cada um de nós efectua. Sem esse instrumento, vincou, é impossível planear bem o que quer que seja.

Aproximar os serviços das pessoas
O presidente da AMP, e autarca de Oliveira de Azeméis, anunciou que a mobilidade e o transporte público serão uma prioridade nos projectos que a região vai candidatar ao novo quadro comunitário. Já a geógrafa Teresa Sá Marques aproveitou para explicar que o acordo estabelecido entre Portugal e a União Europeia condiciona muito o tipo de investimentos que poderão ser feitos. E desafiou os autarcas a pensarem a mobilidade, em função das características da população que, estando a envelhecer, nos obriga a olhar de outra forma para o urbanismo: que terá de comtemplar, cada vez mais, a criação de pequenas centralidades, nas zonas habitacionais dispersas, de modo a que tenhamos passeios para andar a pé – o que nem sempre acontece - e os serviços essenciais a cinco, dez minutos de casa. A investigadora lembrou que até a grande distribuição já percebeu a necessidade de alterar o paradigma, estando a investir na associação a pequenas mercearias de bairro.

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