Moody’s admite baixar ratings da banca portuguesa por causa BES

Bancos injectaram 4900 milhões de euros no Novo Banco, que resultou da divisão do BES em dois.

A Moody's desceu a classificação de 16 bancos
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Moody's admite maior risco para a banca nacional com a salvação do BES. Joel Saget/AFP

A agência de notação financeira Moody’s anunciou nesta terça-feira que a perspectiva (outlook) para os próximos 12 a 18 meses para o sector financeiro português continua a ser negativa, o que pode significar uma baixa da actual classificação de risco.

A agência sustenta a decisão de manter o outlook negativo dos bancos nacionais com o modelo de resgate aplicado ao BES, que pode ter consequências financeiras directas nos seis bancos nacionais que integraram o Fundo de Resolução.

"A adopção por parte de Portugal da directiva relativa à recuperação e resolução bancária e do Mecanismo Único de Resolução transfere o fardo de salvar os bancos para os accionistas e os obrigacionistas através de um sistema de resgate”, refere a analista da Pepa Mori.

No âmbito do Fundo de Resolução, a banca nacional injectou 4900 milhões de euros no Novo Banco, o banco “bom” que resultou da divisão do BES em dois. O BES passou a concentrar os activos maus ou tóxicos.

A analista que acompanha a banca nacional destaca ainda que com adopção da directiva europeia, há uma maior probabilidade dE o Governo não estar disposto a apoiar directamente a banca, transferindo esse apoio para accionistas e detentores de dívida. E isso pode, assegura, “resultar em ratings mais baixos para seis instituições”.

Apesar de admitir que “o ambiente operacional para os bancos em Portugal continua a ser muito difícil”, a Moody’s diz reconhecer que o regresso do país ao crescimento económico “está a ajudar a reduzir os riscos que as condições macroeconómicas impõem ao sector”.

“Em última análise, a recuperação gradual irá ajudar a abrandar a tendência de crescimento do crédito malparado e a reduzir gradualmente as necessidades de provisionamento, aliviando parcialmente a pressão sobre a rentabilidade e o capital dos bancos”, destaca a agência.