Obras no Areeiro continuam à espera de que o Metro resolva litígio com a construtora

Trabalhos estão suspensos desde o final do ano passado e não têm data para acabar. Transportadora está a tentar reduzir o custo da empreitada.

A praça está transformada num estaleiro abandonado
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A praça está transformada num estaleiro abandonado Miguel Manso

Há seis anos que a Praça Francisco Sá Carneiro, no Areeiro, está de pantanas por causa das obras de ampliação da estação do Metropolitano de Lisboa. A empreitada era para estar pronta em 2011 mas foi derrapando, até que no final do ano passado foi suspensa devido a um litígio entre a construtora e o Metro. A transportadora diz que o caso está agora “em fase de resolução” mas não adianta um prazo para o fim dos trabalhos.

Desde Outubro que a vista da esplanada da Pastelaria Cinderela, numa esquina da praça, se resume a tapumes metálicos e contentores de obras, instalados no passeio do lado norte da rotunda. “Montaram o estaleiro e foram-se embora sem fazerem nada”, conta o gerente do estabelecimento, Luís Caiado.

Muitos dos clientes que continuam a frequentar a pastelaria reclamam, outros deixaram de lá ir. “Temos perdas de 20 a 30%”, afirma. “Se as obras estivessem a decorrer, nós aguentávamos, mas é este silêncio que chateia.”

Em resposta ao PÚBLICO, fonte oficial do Metropolitano recusou pronunciar-se sobre o litígio judicial, cujos fundamentos não revela, uma vez que, afirma, o processo está “em fase de resolução”. Logo que esteja resolvido, as obras no átrio norte “serão retomadas”, garante.

A ampliação da estação do Areeiro foi adjudicada à Hagen Engenharia, que se encontra actualmente em grandes dificuldades financeiras, tendo requerido já este mês, em tribunal, a instauração de um processo especial de revitalização. Inicialmente, a empreitada tinha um valor global de 15 milhões de euros – dos quais oito milhões foram já gastos nas obras no átrio sul – mas o Metropolitano não quer pagar o restante na totalidade. “Está a ser desenvolvida uma alteração ao projecto que visa diminuir o âmbito da intervenção e reduzir o valor global do investimento”, diz a mesma fonte da empresa.

Sem acordo no Areeiro não poderá avançar a ampliação da estação de Arroios, que terá também de ser encerrada, o que “apenas será possível quando a estação do Areeiro tiver os dois átrios operacionais”, explica a empresa. Tudo isto para que os cais passem a ter 105 metros de comprimento, de modo a que o metro possa circular na Linha Verde com seis carruagens, em vez das três utilizadas actualmente.

Mais do que criticar o atraso na obra, o presidente da Junta de Freguesia do Areeiro, Fernando Braancamp (PSD), considera “inadmissível" que os transeuntes e os comerciantes estejam a ser penalizados por este "impasse”. Para o autarca, o maior problema é a ocupação da via pública com o estaleiro, sem data para acabar. “Há comerciantes desesperados, as pessoas não passam por ali”, afirma.

Mesmo quem passa, quase não pára. Os tapumes, contentores e outros materiais de construção ocupam a maior parte do passeio, já repleto de ervas altas e secas. Resta um pequeno corredor para os transeuntes, que mal olham para as montras. “As lojas estão ali num gueto”, critica o presidente da junta.

A instalação do estaleiro obrigou à deslocalização da praça de táxis, que antes se encontrava naquela parte da rotunda. Hoje os taxistas esperam por clientes do outro lado da estrada, onde o movimento de transeuntes é ainda menor . "O negócio deste lado é mais fraco, e há muito sol", queixa-se um dos taxistas.

A 1 de Abril deste ano, o presidente da junta levou o assunto à reunião da assembleia municipal, na qual interpelou o presidente da câmara por ter “escapado” daquela zona, onde morava. “Eu não escapei, eu fugi mesmo, porque não quis que acontecesse à minha porta o que estava a acontecer ao lado”, respondeu António Costa, rejeitando responsabilidades. “A obra em causa não é da câmara, que apenas fez o projecto. A obra é da exclusiva responsabilidade do Metropolitano”, afirmou.

O PÚBLICO questionou a câmara sobre se irá tomar alguma medida para tentar resolver o problema, mas não obteve resposta.