Ricardo Salgado detido no âmbito da operação Monte Branco

O ex-presidente executivo do BES foi detido para ser interrogado por um juiz. Operação contou com procuradores do Ministério Público e inspectores tributários.

Ricardo Salgado termina o actual mandato no final do próximo ano
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Salgado volta ao Parlamento esta quinta-feira ENRIC VIVES-RUBIO

O ex-presidente executivo do BES, Ricardo Salgado, foi detido na manhã desta quinta-feira, na casa onde mora no Estoril. A detenção foi feita no âmbito da operação Monte Branco, que investiga a maior rede de branqueamento de capitais descoberta em Portugal.

A notícia foi avançada pelo Correio da Manhã e confirmada pelo PÚBLICO junto de fonte policial. A detenção foi desencadeada pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e Salgado está a ser ouvido no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa. 

O interrogatório, a cargo do juiz Carlos Alexandre, começou pelas 10h30 e foi interrompido para almoço. Deverá ser retomado pelas 14h00.

"No âmbito do Processo Monte Branco, o Ministério Público (DCIAP) tem vindo a realizar várias diligências que culminaram com a detenção de Ricardo Salgado no dia de hoje", esclareceu também esta manhã a Procuradoria-Geral da República em comunicado. A acção contou com procuradores do Ministério Público e inspectores tributários. Terão ainda estado presentes agentes da PSP, força chamada a colaborar pelo DCIAP.

Na quarta-feira, o DCIAP já tinha feito buscas na sede do Grupo Espírito Santo (GES), na Rua de São Bernardo, em Lisboa, e esteve noutras empresas fora do grupo, mas que têm, ou tiveram, relações com o GES. As buscas aconteceram horas depois de as autoridades do Luxemburgo terem aprovado o pedido de gestão controlada apresentado pela Espírito Santo International, que afirmou não pode pagar as dívidas que tem.

A operação Monte Branco teve início em Junho de 2011 como uma investigação sobre as transferências de dinheiro entre gestores de fortunas suíços e os seus clientes portugueses. O Ministério Público investigou doze transferências de 27,3 milhões efectuadas entre Julho de 2009 e Julho de 2011, já depois de ter começado a “manipulação” das contas das holdings do GES.

Os movimentos partiram do Banco Espírito Santo Angola para contas de empresas com sede no Panamá e cujos beneficiários serão Ricardo Salgado e Amílcar Morais Pires, antigo administrador financeiro do BES, que Salgado pretendia que fosse o seu sucessor na presidência. Esta informação já veio divulgada em vários órgãos de comunicação e nunca foi desmentida.   

Em Janeiro do ano passado, e depois de Ricardo Salgado ter sido ouvido no  Departamento Central de Investigação e Acção Penal, a Procuradoria-Geral da República afirmou que Ricardo Salgado não estava envolvido no caso Monte Branco. A procuradoria disse então não haver indícios de que o presidente executivo do BES tenha estado envolvido em “qualquer ilícito de natureza fiscal”.