PCP e BE alertam para risco de BES ser um “novo BPN”

CDS ficou em silêncio.

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Nuno Ferreira Santos

Apontando o BES como o “banco do regime” e de “muitos regimes”, Pedro Filipe Soares questionou a gestão da crise do grupo por parte do regulador, assegurando que o Bloco “não aceita” que se transforme num novo BPN.

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Apontando o BES como o “banco do regime” e de “muitos regimes”, Pedro Filipe Soares questionou a gestão da crise do grupo por parte do regulador, assegurando que o Bloco “não aceita” que se transforme num novo BPN.

“Como é possível que os donos disto tudo tenham criado um buraco de 7,7 mil milhões de euros sem que ninguém tenha dado por isso?”, questionou o bloquista. E apontou mesmo o dedo ao regulador. “Onde estava o Banco de Portugal quando a Financial Espírito Santo dava dinheiro emprestado, geria os interesses da família Espírito Santo? Não estava. Parece que nesta história a D. Inércia foi o Banco de Portugal”, apontou o deputado, numa alusão a uma figura publicitária usada pelo BES.

O deputado bloquista apontou o grupo do BES como “o dono disto tudo”, sugerindo cumplicidades com “vários governos” e lembrando como “Ricardo Salgado se sentava à mesa” dos diversos executivos.

“Este era o grupo do regime, todos nos lembramos dos negócios do regime, como foram diligentes nos submarinos e estiveram nas PPP e nos swaps”, disse.

Paulo Sá, da bancada do PCP, assumiu que “começa a surgir uma preocupação real sobre o risco sistémico para a banca”, arrastando a cotação das empresas e os juros da dívida. E perguntou se “é legítimo” pensar que se está “perante um novo BPN”.

Pelo PS João Galamba quis amenizar as preocupações. “É importante não entrar em histerias”, disse, defendendo que é preciso “moderação” e “não alimentar esta espiral”. O deputado socialista quer aguardar pelas explicações da ministra das Finanças, que será ouvida sobre o BES no Parlamento na próxima semana.

O mesmo tom foi partilhado pela bancada do PSD. O deputado Duarte Pacheco quis afastar o fantasma do BPN e defendeu que é preciso “evitar todas as polémicas que criem confusão nas pessoas e confusão com outro caso de polícia no sistema financeiro, que agrave uma crise que eventualmente possa existir”.

Perante o silêncio da bancada do CDS, Pedro Filipe Soares comentou: “A dona Inércia do Banco de Portugal também passa pelo CDS.”