Conservador da linha dura eleito Presidente de Israel

Rueven Rivlin, cujo projecto político assenta na criação do "Grande Israel", nunca escondeu a sua hostilidade à criação de um Estado palestiniano.

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Rueven Rivlin, o novo Presidente que sonha com a construção do "Grande Israel" Galli Tibon/AFP

"Penso que os deputados ouviram o sentimento do povo", disse o Rivlin na televisão depois da votação.

O Presidente israelita exerce um cargo que é sobretudo honorário, uma vez que os poderes executivos estão concentrados nas mãos do primeiro-ministro. Mas o actual ocupante do lugar, Shimon Peres, deu-lhe uma nova visibilidade ao envolver-se em campanhas internacionais como a paz israelo-palestiniana (há dias participou numa oração no Vaticano junto do Papa e do presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas) ou a resolução do conflito devido ao programa nuclear iraniano.

O jornal israelita de centro-esquerda Ha'aretz dizia há dias num editorial que a chegada de Rivlin à presidência vai mudar radicalmente a instituição. O chefe de Estado vai direccionar a sua atenção para questões internas e não para assuntos internacionais. Mais, dizia o jornal, Rivlin não vai ser o Presidente de Israel, vai ser "o Presidente do Grande Israel, servindo-se da sua função para fazer avançar a colonização da Cisjordânia".

Reuven Rivlin, que tem 75 anos, advogado que começou a carreira política em 1988 ao ser eleito para o Knesset – antes foi membro dos serviços secretos militares – um representante da linha mais à direita do Likud, o partido actualmente no poder. É contra a ideia (ou o debate) da criação do Estado da Palestina, não é favorável a negociações e defende que os palestinianos devem existir dentro de Israel, com nacionalidade israelita. Defende uma aproximação aos árabes israelitas, os descendentes dos 160 mil palestinianos que permaneceram no território que em 1948 se tornou o Estado de Israel (e q serão hoje cerca de 20% da população de Israel), e que esse modelo seja aplicado a todos os palestinianos.

Rivlin foi presidente do Knesset duas vezes, entre  2003 e 2006 e no período 2009-2013.   

Não é próximo do primeiro-ministro, Benjamin Netanyah (desentenderam-se há anos), que passou semanas a tentar adiar a votação desta terça-feira, numa tentativa de ganhar tempo para convencer o escritor Elie Wiesel, prémio Nobel da Paz (prémio que também Peres tem), a candidatar-se.

Netanyahu queria na presidência uma outra figura de prestígio mundial. Peres, que deixa o lugar no dia 28 de Junho, pouco antes de fazer 91 anos, deu uma visibilidade mundial à presidência israelita, e restaurou ainda credibilidade do cargo – o seu antecessor, Moshe Katsav, está preso por violação, e o anterior, Ezer Weizman, demitiu-se devido a um escândalo de corrupção.