Líder parlamentar do PS na Madeira apoia candidatura de António Costa

Carlos Pereira distancia-se do presidente da federação regional, Victor Freitas, que se mantém fiel a Seguro.

António Costa pediu desculpa a Cavaco Silva "pelo muito desagradável incidente ocorrido no içar da bandeira nacional"
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António Costa pediu desculpa a Cavaco Silva "pelo muito desagradável incidente ocorrido no içar da bandeira nacional" Rui Gaudêncio

O líder do grupo parlamentar do PS na Assembleia Legislativa da Madeira, Carlos Pereira, manifestou o seu apoio à candidatura de António Costa à liderança do partido. “Estou certo que ele encerra um novo caminho de esperança e traduz um projecto credível e consistente”, declarou o deputado regional ao PÚBLICO.

Carlos Pereira, também vice-presidente do PS na Madeira, diz rever-se na manifestação de disponibilidade de António Costa e considera “ser do mais elementar bom senso que, com maturidade e responsabilidade, o partido encontre o caminho da estabilidade e da consolidação de um projecto de mudança”.

“É preciso assegurar que nos apresentemos às eleições legislativas próximas com as apostas certeiras, consistentes e credíveis. O PS deve ser capaz de assegurar que os portugueses consideram o caminho apresentado como certeiro, consistente e credível”, justifica Carlos Pereira.

O deputado socialista considera que nas eleições europeias de domingo o “sábio povo português mostrou que não se revê totalmente e com a dimensão desejada no actual projecto do PS”. E, declarando não acreditar “em homens providenciais”, reconhece que “nem todos são capazes de encarnar o espírito da mudança que os portugueses tanto precisam”. Por isso, conclui, “não devemos impingir nada de forma forçada”.

Para Pereira, este é o melhor momento, a pouco mais de um ano das eleições legislativas, de “concretização de uma alternativa consistente, sufragada por uma larga maioria”. “É preciso ouvir os portugueses com desprendimento e sentido de responsabilidade de modo a desenhar a solução e a apresentar os protagonistas que respondam aos anseios dessa maioria”.

Carlos Pereira frisa que “a situação no país é muito grave e os portugueses revelam que a sua resistência quase heróica a este Governo, herdeiro das convicções da troika, está cada vez  mais debilitada”. E alerta: “Há uma espécie de grito silencioso na sociedade portuguesa para que se construa uma mudança que devolva a esperança e projecte o país para o crescimento económico desejado e assim seja possível estancar o desemprego e combater os dramas sociais, da pobreza e da exclusão social, que crescem alimentados por um ambiente austero. Este modelo de empobrecimento que produz desigualdades profundas na sociedade portuguesa e não tem sensibilidade para os sectores mais frágeis é perverso e não se encaixa nos princípios que o PS defende”.

Com esta posição, Carlos Pereira demarca-se do apoio pessoal manifestado pelo presidente da federação regional, Victor Freitas, ao actual secretário-geral do PS. “Depois desta caminhada, António José Seguro ganhou as eleições autárquicas, agora as eleições europeias e tem de completar o ciclo ganhando as legislativas de 2015 e ser o primeiro-ministro de Portugal", justificou em declarações à Lusa.

"Quem fez o percurso até aqui, tem de ir até ao fim e António José Seguro tem todo o meu apoio", frisou Freitas, a propósito da disponibilidade manifestada pelo presidente da câmara de Lisboa para liderar o PS. "Da minha parte, não vejo com bons olhos esta possível candidatura de António Costa à liderança do partido que já se insinuou por várias vezes mas, na altura própria, não compareceu", disse.