Joana Amaral Dias demitiu-se do BE dois dias antes de apoiar o PS

Liberdade para actuar e discordância sobre ausência de política de alianças. A psicóloga disse assim adeus a uma longa mas distante militância no Bloco.

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Joana Amaral Dias discursou na convenção socialista do último sábado Nuno Ferreira Santos

Na quinta-feira, dois dias antes de discursar na Convenção Novo Rumo do PS, Joana Amaral Dias foi à sede do BE, em Lisboa, entregar a sua carta de demissão do partido. Não encontrou os líderes João Semedo e Catarina Martins, mas explicou por escrito que a ausência de políticas de alianças à esquerda é o motivo político para fechar a porta.

Joana Amaral Dias confirmou ao PÚBLICO que foi pessoalmente à sede do BE, na quinta-feira, entregar uma “carta curta” na qual explica os motivos da sua desfiliação.

“Não tenho feito militância no BE. Não fazia sentido continuar com esta adesão”, justifica.

No sábado, a psicóloga pôs de pé a Convenção Novo Rumo do PS, em Lisboa, ao prestar homenagem a Medeiros Ferreira com a citação "atenção a este rapaz, precisa de quem o trave”, referindo-se ao actual primeiro-ministro.

Ao PÚBLICO, Joana Amaral Dias justifica a saída com a “liberdade para actuar” politicamente de acordo com a sua consciência. “Naquilo que é essencial, na substância, continuo a ter uma convergência ampla com o BE. Mas entendo que a questão da política de alianças é fundamental para o partido e também para o momento político que o país atravessa”, afirma.

João Semedo, coordenador do BE, reage com poucas palavras: “Sim, é verdade, a Joana Amaral Dias demitiu-se do Bloco na passada semana. Depois de muitos anos sem qualquer participação na actividade do Bloco, deu agora por concluída a sua ligação. É uma opção sua, não tenho mais qualquer comentário a fazer”.

Vários jornais afirmaram este fim-de-semana que Joana Amaral Dias já não era militante do BE desde 2009, o que não estava correcto. Nesse ano, foi contactada para as listas do PS. José Sócrates desmentiu e o convite não chegou a dar frutos, mas o ex-secretário de Estado Paulo Campos acabou por admitir ter contactado a então militante bloquista.

Mas o afastamento face ao Bloco era antigo. A psicóloga saiu da primeira linha do partido ao tornar-se mandatária para a Juventude da candidatura de Mário Soares à Presidência da República, em 2006. O “gosto e entusiasmo” com que aceitou o convite do histórico socialista caíram mal no partido, até porque o BE tinha então outro candidato, o líder Francisco Louçã.

Em 2009, a direcção excluía-a então da Mesa Nacional, composta por 80 elementos. Joana Amaral Dias deixava assim de ser dirigente do partido pelo qual chegou também a ser deputada.