Alunos portugueses vão ter mandarim nos programas do 3.º ciclo e secundário

Ministro da Educação deu um horizonte de três a cinco anos para avançar com a medida

Em São João da Madeira, os alunos do 1.º ciclo têm aulas de mandarim
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Em São João da Madeira, os alunos do 1.º ciclo têm aulas de mandarim Adriano Miranda

O ensino do mandarim vai passar a integrar, como opção, os programas curriculares do 3.º ciclo e do secundário, anunciou na manhã deste sábado, em Pequim, o ministro da Educação Nuno Crato. O governante integra a visita oficial do Presidente Cavaco Silva à China. A medida foi tema de conversa e de consenso em todas as reuniões realizadas nos últimos dias entre as autoridades portuguesas e chinesas (Presidentes da República e ministros), mas também entre empresários dos dois países.

“Há uma grande notícia nesta visita”, começou por dizer Nuno Crato, quando falava aos jornalistas, momentos antes de embarcar de Pequim para Macau, onde termina a visita presidencial. O ministro salientou os acordos de cooperação nas áreas da educação, da ciência, da tecnologia e da divulgação da língua portuguesa, alguns assinados na presença dos dois Presidentes, Aníbal Cavaco Silva e Xi Jinping, bem como dos respectivos ministros da Educação e da Ciência e Tecnologias. “Este entendimento abre novas perspectivas de cooperação" entre os dois Estados, avançou o ministro. 

"Há hoje na China um grande interesse na aprendizagem do português nomeadamente por parte dos jovens", observou Nuno Crato. "É um interesse que se vai desenvolver.” O governante destacou o seguinte: “O mandarim pode ser integrado no plano curricular das escolas portuguesas como opção, e haverá disponibilidade do Instituto Confúcio [o equivalente chinês do Instituto Camões] para colaborar", uma disponibilidade que as autoridades chinesas também manifestaram. Recorde-se que o tema da divulgação da lingua portuguesa foi central na viagem de Cavaco Silva à China, tendo este estado na Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, a discursar para estudantes que frequentam o curso de português. 

Crato deu um horizonte temporal "entre três a cinco anos" para que a medida de introdução do estudo do mandarim como opção nas escolas liceus portuguesas seja implementada nalguns estabelecimentos de ensino. “Os professores virão da China e de Portugal.”

Todo este interesse nas áreas culturais foi apadrinhado pelos dois Presidentes da República, evidenciou o ministro da Educação. “Tudo isto abre novas perspectivas para a cooperação entre os dois países”, concluiu.

Recorde-se que em Portugal já existem escolas, públicas e privadas, que oferecem mandarim aos alunos, sobretudo os do 1.º ciclo, como é o caso dos estabelecimentos de ensino de São João da Madeira.