Opinião

O intraduzível ficar

Levou dez anos mas foi finalmente traduzido para inglês Le Vocabulaire européen des philosophies (Dictionnaire des intraduisables) – 1500 páginas fascinantes sobre as palavras intraduzíveis em dezenas de línguas. A versão inglesa (Dictionary of Untranslatables: a Philosophical Lexicon) foi dirigida pela mesma Barbara Cassin e tem menos páginas mas mais palavras, graças às traduções de Emily Apter, Jacques Lezra e do sempre interessante Michael Wood.

Já encomendei (1344 páginas por 55 euros) para me deliciar tanto com a tradução para inglês das palavras intraduzíveis apresentadas em francês como com as muitas entradas novas. A página na Net da Princeton University Press está cheia de aperitivos, incluindo a longa entrada sobre saudade.

No site da Publishers Weekly, o próprio Michael Wood diverte-nos a escolher e a explicar 13 palavras intraduzíveis de que gosta. De manhã tinha-me irritado com ele no último London Review of Books, onde ele escreve ardilosamente (deviously) sobre Grand Budapest Hotel, de Wes Anderson.

Lê-se grátis online. Diz ele que, graças a um prefácio de Joan Acocella, sabe que Stefan Zweig escreveu O Mundo de ontem. Trata-se de um livro que é impossível não ter lido ou, caso não se tenha lido, não ler de seguida, num máximo de três horas. A edição portuguesa de 2005, da Assírio e Alvim, recomenda-se.

Redime-se com o que diz sobre a singularidade portuguesa do verbo ficar: faz falta. Às outras línguas. Ou talvez não?