Quatro partidos chumbam voto de saudação do PCP ao 25 de Abril no parlamento dos Açores

"A pátria portuguesa vive um dos mais graves e dolorosos períodos da sua longa história de mais de oito séculos, seguramente, o mais difícil desde o fim dos negros tempos do fascismo. Um período que entra claramente em conflito com o que Abril representou de conquista, transformação, realização e avanço", afirmou o deputado comunista Aníbal Pires.

Para o PCP, há hoje "uma inaceitável intervenção externa que agride a inalienável soberania" nacional, assim como um programa de ajustamento da troika, negociado por PS, PSD e CDS-PP, que é "um verdadeiro guião para uma nova ditadura, empenhada em aumentar a exploração dos trabalhadores e obliterar os seus direitos, ferindo as liberdades" dos portugueses e "empobrecendo o país de forma deliberada e criminosa".

"A crise nacional é determinada fundamentalmente pelas consequências das políticas de direita levadas a cabo ao longo de mais de 37 anos", considerou Aníbal Pires, apontando que a "contra-revolução" começou com o primeiro Governo de Mário Soares e foi depois continuada por todos os executivos que se seguiram.

Assim, e a propósito dos 40 anos do 25 de Abril, o PCP propunha ao parlamento regional que reafirmasse, através da aprovação deste voto, "a importância incontornável das conquistas políticas e sociais da Revolução de Abril", como a rejeição do "ataque aos direitos sociais obtidos" em 1974.

Porém, só a deputada do BE, Zuraida Soares, votou favoravelmente o texto. PS, PSD, CDS-PP e PPM condenaram-no por, nas palavras do socialista Francisco Coelho, ser na realidade um "voto de pesar pelo 25 de Abril deles [os comunistas] que nunca foi". O PS lamentou, ainda, que o PCP tenha passado "ao lado" de uma "grande oportunidade" para acentuar a importância de repensar hoje "os caminhos" da Europa e da "psicose austeritária" que está a pôr em causa décadas de social-democracia.

O social-democrata José Andrade considerou que o PCP estava a "instrumentalizar" o 25 de Abril para "fazer politiquice" e "colocar uns portugueses contra outros", o que lamentou, dado ser uma efeméride que deve ser celebrada de forma consensual. CDS-PP e PPM acrescentaram que se tivesse vingado o projecto comunista, Portugal seria realmente uma ditadura hoje.

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