Cerveja, iogurte e detergente no topo das promoções nos supermercados

No ano passado, 91% das famílias compraram pelo menos um produto com “preço especial”. Vendas no retalho alimentar durante os dois primeiros meses de 2014 cresceram 0,5%.

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Mais de 90% das famílias compraram pelo menos um produto com "preço especial" em 2013 Nuno Ferreira Santos

A Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição tem apontado que 25% das vendas feitas no primeiro semestre de 2013 foram realizadas em promoção. A Kantar, empresa de estudos de mercado, não adianta qual foi, no total do ano, o peso dos descontos no cabaz de compras das famílias, mas da análise que fez aos cerca de 4000 lares de Portugal Continental, concluiu que 91% compraram pelo menos um produto com preço especial (em que o valor antigo não é visível).

Cerca de 54% compraram bens de grande consumo com desconto imediato de 50%, 77% levaram para casa dois produtos pelo preço de um e 52% aceitaram receber o desconto no cartão de cliente. “Em comparação com Espanha temos mais promoções que não obrigam a comprar mais para conseguir um melhor preço”, aponta Sónia Antunes, directora-geral da empresa.

A cerveja foi o produto com mais descontos e 6% dos portugueses só compraram esta bebida em “saldo” (cerca de 15,5 litros). Contudo, vender com preço reduzido nem sempre é a fórmula perfeita para as marcas, diz Sónia Antunes. Por exemplo, quem nunca comprou cerveja em promoção acabou por levar para casa mais litros (18,9 litros no total).

No ano passado, o volume de compras caiu 1,5% penalizado, sobretudo, por um primeiro semestre de grande contracção (menos 3,7%). As famílias gastaram em média 2238 euros em compras, passaram a ir mais às lojas, mas no carrinho do supermercado há menos produtos (um recuo de 3,2%). Já em 2014, e à semelhança dos indicadores da actividade económica, as vendas no retalho alimentar durante os dois primeiros meses dão sinais de alguma recuperação (com uma subida de 0,5%).

Graças às promoções, o Continente e o Pingo Doce conseguiram aumentar a fidelização dos seus clientes e há um fenómeno que continua a marcar presença: nas zonas urbanas, as lojas tradicionais e especializadas (peixarias, padarias ou talhos) conseguiram vender mais 2,7% em 2013, em comparação com o ano anterior. Ao mesmo tempo, o perfil de consumidor está a mudar. Cerca de 55% das famílias portuguesas têm um ou dois elementos que “estão menos interessados em andar nos supermercados”, diz Sónia Antunes.

As marcas detidas pelas cadeias de distribuição também diminuíram a quota de mercado e tiveram uma presença menor no cabaz de compras, muito à conta das promoções – que incidem sobretudo nos produtos de marca da indústria. Segundo a Kantar, a quota desceu de 42,5% em 2012 para 40,8% em 2013, depois de anos consecutivos de subidas. Olhando para o peso nas diferentes cadeias de lojas, verifica-se que no Pingo Doce o peso no carrinho de compras de produtos de marca própria desceu de 61% para 54%. No Continente manteve-se nos 51%, no Lild caiu de 81 para 80% e no Auchan cresceu de 41 para 43%.