Um caminho "longo e geracional"

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João Moreira: “Escolas devem apostar na educação não formal e no intercâmbio cultural” Adriano Miranda

O caminho para o aumento da participação jovem nas eleições europeias é “longo e geracional”, defende o investigador na área das ciências sociais e políticas Bruno Ferreira Costa.

A solução, defende, passa por dois pontos essenciais: a personalização das candidaturas para que “os cidadãos possam votar em pessoas e não em listas de partidos que não reconhecem” e o foco no debate sobre a União Europeia “reforçando os pontos positivos das políticas europeias”.

João Moreira, da organização do PEJ - Parlamento Europeu para Jovens, concorda que a falta de informação e cobertura mediática das questões europeias são as principais causas do afastamento mas, na sua perspectiva, o caminho passa mais “pela aposta das escolas na educação não-formal, participando em projectos como o PEJ, que aproxima os jovens da Europa e lhes proporciona grandes experiências de intercâmbio cultural”. Neste ponto, a estudante de Línguas e Relações Internacionais Jéssica Costa não podia estar mais de acordo: “O problema é o sistema educativo. Nas escolas não se explica aos jovens o que é a União Europeia, nem como funcionam as instituições.”

A possibilidade de votar não só para o Parlamento Europeu mas também para outros órgãos como a Comissão Europeia ou o Conselho Europeu seria outra forma de aumentar a influência dos cidadãos nas políticas europeias e, consequentemente, aumentar a motivação para ir às urnas. Neste contexto, o Tratado de Lisboa, que entrou em vigor a 1 de Dezembro de 2009, introduz uma alteração importante para as eleições deste ano: o presidente da Comissão Europeia passa a ser eleito pelo Parlamento Europeu que, por sua vez, é eleito pelas pessoas. Isto significa que, indirectamente, o presidente da Comissão Europeia passa a ser eleito também pelos cidadãos.

Bruno Ferreira Costa perspectiva que as próximas eleições europeias, agendadas para 25 de Maio, confirmem a tendência crescente e transversal que é a abstenção jovem em Portugal. Para além disso, o investigador acredita que os números poderão subir não só devido à actualização dos cadernos eleitorais mas, sobretudo, tendo em conta que cerca de 100 mil portugueses emigraram este ano, na maioria jovens, e que estas pessoas “nem sabem se podem votar ou como podem votar fora do seu país”. O investigador acrescenta que estas eleições europeias serão muito mais uma forma de “penalizar os governos nacionais do que de legitimar o Parlamento Europeu”.

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