Governo faz "publicidade encapotada" à Audi, diz bastonário dos Técnicos Oficiais de Contas

Os modelos A4 e A6 serão os prémios do sorteio Factura da Sorte, que arranca no próximo mês.

Este ano, haverá 39 sorteios regulares e dois extraordinários
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Este ano, haverá 39 sorteios regulares e dois extraordinários Michaela Rehle/Reuters

O bastonário da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC) criticou a "publicidade encapotada" do Governo à Audi, marca escolhida para prémio da Factura da Sorte, e defendeu prémios em dinheiro ou abatimento nos impostos.

"O Governo devia ter tido a preocupação de não a fazer [publicidade] apenas a uma das marcas", disse à Lusa "Domingues Azevedo, à margem de um encontro em Lisboa sobre o tema “Relações - Fisco Contribuintes”.

A opção por uma solução financeira – como o direito do premiado deduzir no seu IRS o valor do prémio ou não pagar alguns impostos e ser devolvido o IRS descontado pela entidade patronal – seria mais vantajosa, segundo o bastonário. "Assim, não estaria a beneficiar uma marca, o que acaba por criar problemas a outras marcas da mesma gama de automóveis que se sentirão desniveladas no tratamento concedido", frisou.

Os Audi A4 e A6 vão ser os modelos de carro que os contribuintes se habilitam a ganhar no sorteio da Factura da Sorte, que começa em Abril.

"Domingues Azevedo alerta que a escolha de uma marca pode levantar problemas "de transparência" do processo e surgimento de oportunidades: "Para uma empresa que esteja a ser falada todas as semanas na televisão, o custo do carro pode ser muito diminuído porque há aqui uma publicidade directa e indirecta que beneficia muito a marca escolhida".

O bastonário lembrou que as famílias estão a viver tempos de dificuldades económicas e que poderão ganhar um carro, no sorteio, sem meios para o sustentar. "Não estou contra o princípio, porque concordo com o incentivo [ao registo de facturas no portal das finanças]. A forma é que está desajustada, é como andar a fazer rifas", defendeu, criticando a "visão folclórica" do sorteio que, na sua opinião, "não dignifica" o acto tributário.

Artigo corrigido: o bastonário dos Técnicos Oficiais de Contas chama-se Domingues Azevedo, não Domingos Azevedo.