Dois consultores de Cavaco subscrevem manifesto pela reestruturação da dívida

Sevinate Pinto e Vítor Martins estão entre as 74 personalidades que pedem uma "reestruturação honrada e responsável" da dívida.

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Vítor Martins Pedro Cunha/Arquivo
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Sevinate Pinto

Vítor Martins e Armando Sevinate Pinto, dois consultores do Presidente da República, Cavaco Silva, integram a lista de 74 personalidades que subscrevem o manifesto Preparar a Reestruturação da Dívida Para Crescer Sustentadamente, que o PÚBLICO noticiou nesta terça-feira e que agora divulga, na íntegra. Ambos integram a Assessoria para os Assuntos Económicos e Empresariais da Casa Civil de Cavaco Silva e são, os dois, antigos governantes de executivos do PSD.

Vítor Martins foi, aliás, o único homem a quem Cavaco Silva confiou a secretaria de Estado dos Assuntos Europeus, nos dez anos em que liderou o Governo. Nessa qualidade, este economista integrou as equipas de negociadores portugueses de alguns dos mais importantes compromissos europeus – da adesão, em 1986, ao Tratado de Maastricht, de 1992. O seu colega em Belém, Sevinate Pinto, foi ministro da Agricultura no Governo de coligação PSD-CDS liderado por Durão Barroso.

Ambos estão agora ao lado de ex-líderes do PSD, como Manuela Ferreira Leite, e do CDS, como Freitas do Amaral, na defesa de uma reestruturação da dívida portuguesa. O texto demorou mais de dois meses a ser concluído. É um trabalho “de formiguinha”, sobretudo do ex-ministro socialista João Cravinho, descrito por vários dos subscritores como “a alma” deste manifesto.

No final, a ideia de reestrurar a dívida, de uma forma “honrada e responsável”, fazê-lo “no âmbito de funcionamento da União Económica e Monetária” e com uma “rigorosa gestão orçamental no respeito das normas constitucionais” é o compromisso que permite juntar, neste apelo, posições políticas tão diversas como as de Francisco Louçã, ex-líder do BE, e Miguel Anacoreta Correia, ex-dirigente do CDS. Ou Carvalho da Silva e o líder da CIP, António Saraiva.

O primeiro-ministro reagiu, na manhã de terça-feira, e acusou os autores do texto de pretenderem "negar a realidade". Para Passos Coelho, a ideia de que é necessário reestrurar a dívida "passa uma mensagem errada para os credores". "Se eu hoje quisesse pôr em causa o financiamento do país, subscreveria o manifesto", continuou.

No Parlamento, o ministro Miguel Poaires Maduro disse o mesmo: “Qualquer opção de reestruturação da dívida seria extremamente prejudicial para o país."

Mas na sede do PSD, na São Caetano à Lapa, à margem de uma conferência de imprensa em que apresentou o programa de comemorações para os 40 anos do 25 de Abril, o militante número 1 e fundador do partido, Francisco Pinto Balsemão, não foi tão peremptório. Mesmo salientando que não leu o texto em causa, foi cauteloso: “Reestruturar a dívida é, muitas vezes, um acto de boa gestão das empresas se os bancos estiverem de acordo, se puderem pagar mais devagar, se puderem pagar com menos juros."